Mostrar mensagens com a etiqueta mitologia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta mitologia. Mostrar todas as mensagens

sábado, 9 de outubro de 2010

A Ursa Maior

m
Desde que o Homem olhando o céu à noite, aprendeu a conhecer as estrelas, elas tornaram-se um método indispensável de orientação para todas as civilizações. Serviam de guias tanto para as caravanas árabes que atravessavam a imensidão de um deserto vazio, como mais tarde para as frotas de marinheiros, navegando também eles na imensidão de um mar desconhecido.
Os diversos padrões que formavam nos céus levou a que os Antigos as nomeassem conforme o que essas figuras lhe pareciam: animais, cabeleiras, homens, mulheres…Ás constelações, os gregos deram o nome de figuras mitológicas fazendo algumas delas, parte do Zodíaco.
No hemisfério norte, as mais conhecidas são as constelações boreais da Ursa Maior e da Ursa Menor, também chamadas de Grande Carro ou (Carro de David) e Pequeno Carro. Embora a constelação da Ursa Maior seja muito grande, são as suas brilhantes sete estrelas desenhando um quadrado e uma cauda no azul-escuro do céu nocturno, que a tornam tão útil e conhecida. Se prolongarmos cinco vezes as guardas da Ursa Maior, encontraremos a Estrela Polar, na cauda da Ursa Menor, que há mais de 2000 anos nos indica o Norte.
A Ursa Maior é conhecida por vários nomes conforme as tradições dos povos que por ela se orientam. Assim, em França chamavam-na de Caçarola, na Inglaterra era O Arado ou a Biga do Rei Artur, e na Europa Medieval, de Carruagem ou Carroça. Na Índia, chamavam-lhe Os Sete Sábios, na China, “Pei-To”, e as suas sete estrelas representavam uma concha que oferecia comida nos tempos de fome. Os egípcios associavam-na à imortalidade, pois as suas estrelas, visíveis todo o ano representavam a vida eterna. Na mitologia nórdica é O Carro ou Carruagem de Odin, puxada por 3 cavalos. Para os índios Cherokee as estrelas representavam um grupo de caçadores que perseguiam um urso desde o princípio da Primavera, até ao Outono. Os árabes viam nela uma caravana e os nossos navegadores chamavam a Maior de “Carro” e a Menor de “Buzina”.
A figura mitológica associada a esta constelação é a da ninfa Calisto, companheira de Artémis, Deusa da caça, e também a Senhora da Lua. Nos mitos mais antigos era a própria Artémis que se transformava em ursa.
Calisto era segundo algumas versões, a filha do rei Licaonte da Arcádia, e a companheira dilecta de Artémis, deusa da caça, que tal como ela e as restantes companheiras tinha feito voto de castidade. Zeus, apaixonado pela sua beleza aproximou-se dela sob a forma da deusa, violentando-a depois. A sua gravidez acabou por ser descoberta quando Calisto se recusou a tomar banho no lago junto com as outras ninfas. Indignada, a deusa expulsou-a, mas Hera, a ciumenta esposa de Zeus, ao saber do sucedido perseguiu-a, transformando-a numa ursa e tirando-lhe a voz, para que ela não pudesse pedir ajuda ao rei dos deuses.
Vendo-se naquele estado, a pobre Calisto ainda tentou pedir auxílio, mas tudo o que conseguiu foi rugir! Passou então a vaguear pelos campos onde antes caçara, fugindo dos caçadores e dos outros animais selvagens, dando à luz um filho chamado Arkas ou Arcas, que Hermes por ordem de Zeus entregou ao rei Licaonte para que o criasse. Passados uns anos, o jovem foi à caça, e Calisto reconhecendo-o levantou-se e parou a olhar para ele, com vontade de o abraçar, mas Arcas assustado e não sabendo que ela era a sua mãe, levantou a lança para a matar. Zeus, que os estava observando, desviou o golpe, transformou Arcas num urso mais pequeno e levou os dois para o meio do céu, transformando-os em constelações, que ficaram para sempre conhecidas como Ursa Maior e Ursa Menor.
Hera, indignada com as honras concedidas a Calisto e Arkas, pediu a Tétis, sua mãe adoptiva e a Oceano, que não as deixassem mergulhar nas suas águas puras, ao que eles acederam. É essa a razão porque as duas constelações, movendo-se sempre em círculos no céu, jamais descem como as outras estrelas e mergulham no oceano, ficando apenas junto à linha do horizonte. Outras versões contam que Hera as empurrou para perto do pólo norte onde as estrelas são sempre visíveis, para que mãe e filho nunca tivessem descanso. Junto a elas colocou a constelação do Boieiro para que não as deixe afastar do pólo gelado.
Noutras lendas, Calisto é transformada em ursa por Artémis e abatida por ela num ataque de fúria quando a encontrou grávida, ou então Hera, maldosamente aponta-a a Diana, que vendo apenas uma ursa a abate, e depois ao reconhecê-la, a transforma em constelação. Também se diz que foi Zeus a transformá-la assim para a esconder da ira da esposa.
A Ursa Menor, embora parte da sua lenda tenha sido aqui contada, tem também uma outra versão que darei a seguir.
Segundo Robert Graves em “Os Mitos Gregos”, o mito de Calisto explica o aparecimento de duas jovens vestidas de ursas nas festividades áticas da Artemisa de Bráuron, bem como a tradicional ligação que se estabelecia entre esta deusa e a Ursa Maior.
Calisto foi também o nome dado a uma das luas de Júpiter, a terceira maior do nosso Sistema Solar, descoberta em 1610 por Galileu Galilei, mas assim nomeada por Simon Marius ou Johannes Kepler.
Camões, no canto V dos Lusíadas refere-se a esta lenda ao dizer” Vimos as Ursas, a pesar de Juno, banharem-se nas águas de Neptuno” e vários artistas desde o Renascimento, como Rubens, Tiziano, Boucher, Hans Rottenhammer e outros, imortalizaram-na nos seus quadros.


pt.wikipédia. org
cvc.instituto-camoes.pt
Camões, Luís – Os Lusíadas, Canto V
Magno, Albino Pereira – Mitologia
Graves, Robert – Os Mitos Gregos, vol.1

sábado, 4 de setembro de 2010

O Mito de Europa


Na antiga Fenícia, actual Líbano, país mediterrânico do Médio Oriente, vivia o rei Agenor, que tinha três filhos: Cadmo, Cilix e Europa.
Estava Europa, (segundo alguns, do grego eurus, grande, e ops, olho, visão), a ninfa dos olhos grandes, a jogar à bola na praia com algumas amigas, quando um touro lindíssimo, de alva pelagem e chifres dourados, se lhe prostra aos pés, oferecendo-lhe o dorso para ela cavalgar. Seduzida pela sua meiguice, a jovem senta-se em cima do touro, que de pronto se atira ao mar, nadando vigorosamente, para grande susto da princesa e das amigas que a viram desaparecer no horizonte.
No dia seguinte aportaram na ilha de Creta, onde depois de deixar a princesa à sombra de um plátano, o touro se transforma em Zeus, o Senhor do Olimpo, que apaixonado pela beleza da jovem, assim se tinha assim transformado para evitar qualquer represália por parte de Hera, a sua ciumenta esposa divina. Como recompensa, o plátano conserva as suas folhas sempre verdes tanto no verão como no inverno.
Da sua união com o deus, Europa teve três filhos: Minos, Radamanto, Sarpédon .
Mais tarde, quando Zeus a abandonou, Europa casou com o rei cretense Astérion, que lhe adoptou os filhos, e ao morrer deixou o trono a Minos.
Seu pai, após o seu desaparecimento, ordenou aos dois filhos que fossem procurar a irmã, e não voltassem sem ela.
Cadmo, na sua incessante procura, fundou a cidade de Tebas, de quem foi o primeiro rei, levando o alfabeto ao continente grego. Cilix, deu o seu nome à região da Cilicia, a actual Arménia.
Foi esta princesa que deu o nome ao continente europeu, e como todos os mitos têm algum fundamento, se pensarmos que Europa era de origem fenícia, a sua viagem no dorso do touro desde as praias asiáticas até à ilha de Creta, representa possivelmente a expansão da civilização do Oriente para Ocidente. Junto com o touro branco, aparece nas moedas gregas de 2 euros.
De acordo com Heródoto, o “Pai da História”, no sec. VIII a.C., a Europa é apenas uma das três partes em que os Gregos dividiram o mundo de então: Europa, Ásia e Líbia, a actual África.

Fontes: Deuses da Mitologia – Editorial Minerva
Magno, Albino Pereira - Mitologia
Wikipédia

domingo, 22 de agosto de 2010

As Musas

Filhas de Zeus e Mnemosine, tinham por missão presidir às diversas formas de pensamento. Eram as protectoras das artes e dos artistas, inspirando-os nos seus trabalhos, e desde que Hesíodo, na sua Teogonia, as definiu tal como hoje as conhecemos, têm sido utilizadas através dos tempos, para reforçar a ideia de que as mulheres se limitam a inspirar os homens, os quais são os verdadeiros criadores.
Eram ao princípio divindades das montanhas, de cujas encostas corriam córregos produzindo sons que davam ideia de uma música natural, levando a crer que as montanhas eram habitadas por deusas. Sobre elas há várias versões tanto para o seu número (inicialmente seriam três), como para o parentesco, havendo alguns escritores que as consideram como uma segunda geração de Musas, situando a primeira na regência de Urano. Habitavam ora o Olimpo, ora o Monte Helicon na Beócia onde também tinham um templo, o Museon, de onde derivou a palavra museu. Podiam também habitar o Monte Parnaso na Fócida, e nas suas viagens montavam o cavalo alado Pégaso.
Foram criadas pelo caçador Croto, um sátiro cujo nome significa aplauso, perto do Monte Olimpo. Quando morreu, as Musas, agradecidas, pediram a Zeus que o colocasse no céu. Faz parte da constelação de Sagitário.
Eram representadas muitas vezes agrupadas em volta de Apolo, deus da música e da profecia. A palmeira e o loureiro eram-lhes consagrados, assim como o rio Permesse e as fontes Hipocrene e Castalia, que tinham a virtude de conceder inspiração poética a quem delas bebesse.
São elas:
Calíope, Clio, Erato, Euterpe, Melpómene, Polímnia, Tália, Terpsícore e Urânia.
Calíope – Musa da eloquência e da poesia épica. Os seus símbolos eram a tabuleta e o buril.
Clio – Musa da História, os seus símbolos eram a trombeta e a clepsidra. Aos seus atributos acrescentam-se ainda o globo terrestre sobre o qual ela descansa, e o tempo que se vê ao seu lado, para mostrar que a história alcança todos os lugares e todas as épocas. Por isso se diz que a História é a filha da Memória.
Erato – Musa da poesia lírica, tendo inventado a flauta. Ao seu lado estão papéis de música, oboés e outros instrumentos.
Tália – Musa da comédia. É representada com uma máscara cómica na mão e coroada de heras.
Melpómene – Musa da tragédia. Usava uma máscara trágica e folhas de videira. Empunhava também a maça de Hércules.
Terpsicore – Musa da dança. Também regia o canto coral, sendo os seus atributos a lira ou a cítara.
Euterpe- Musa do verso erótico. Segura uma lira na mão direita e na esquerda empunha um arco. Tem um pequeno Amor deitado a seus pés.
Polímnia – Musa dos hinos sagrados e da narração de histórias. Está coberta por um véu, em atitude pensativa e leva um dedo à boca.
Urânia – Musa da astronomia. Vestida de azul e coroada de estrelas, tem como símbolos um globo celeste e um compasso.
Embora fossem bondosas, eram muito ciosas da sua honra. As Piérides, filhas do rei Piero, da Tessália, também em número de nove, desafiaram as musas para um concurso de canto. O júri foi constituído pelas ninfas do Parnaso que deram o prémio às Musas, e estas transformaram as nove Piérides em pegas, como castigo da sua ousadia.

Os antigos começavam as suas refeições invocando-as e os poetas também o faziam para que os ajudassem nos seus cantos.
Heródoto ao escrever as suas Histórias (440 a.C.), divide-as em nove livros, dedicando cada um deles a uma das Musas.
Fontes: Wikipédia
Mitologia – Albino Pereira Magno


sábado, 21 de agosto de 2010

A Deusa da Memória


MNEMOSINE

Antes da escrita aparecer, o homem dependia da memória para transmitir oralmente os seus feitos, que passavam de geração em geração, dando muitas vezes origem às lendas que chegaram até nós. Assim, a memória liga o presente ao passado sendo a base do início da civilização, e mesmo quando cerca de 3.500 a.C. a escrita apareceu, o homem continuou a depender da memória para poder passar para o “papel”os acontecimentos que queria descrever.
Os antigos Gregos consideravam a Memória uma deusa toda-poderosa, que dava aos poetas o poder de voltar ao passado para que estes, através dos seus poemas o pudessem legar à posteridade. Concedia também a imortalidade a certos mortais através do registo dos seus feitos pelos historiadores e artistas, fazendo com que nunca fossem esquecidos mesmo depois da sua morte. O esquecimento é o fim, a mortalidade, e como nos diz Platão”a natureza mortal procura, na medida do possível, ser sempre e ficar imortal”
Segundo a Teogonia de Hesíodo, Mnemosine era filha de Urano (o Céu), e de Gaia (a Terra), sendo uma das Titãs e irmã de Cronos, o Deus do Tempo, portanto uma das deusas primordiais.
Quando Zeus e os seus irmãos se revoltaram contra Cronos e o desterraram, os deuses precisaram de divindades que cantassem a sua vitória e os seus feitos no Olimpo, para que os homens não os esquecessem e continuassem a prestar-lhes culto. Então Zeus juntou-se durante nove noites, com Mnemosine, a deusa da Memória, e desta união nasceram nove filhas, as Musas, que tinham por missão presidir às artes e ciências, isto é, às diversas formas de pensamento. Os romanos davam-lhe também o nome de Moneta.
Do seu nome derivou a palavra mnemónica, (auxiliar de memória). A primeira referência a mnemónicas ocorre no método de loci, na obra De Oratore, de Cícero.
Infelizmente Mnemosine foi praticamente esquecida, sendo geralmente recordada apenas como mãe das Musas, como se fosse possível que a arte destas pudesse existir sem a dádiva da memória.
Fontes: Wikipédia
Mitologia – Albino Pereira Magno

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O Senhor do Tempo

O Tempo pergunta ao tempo
Quanto tempo o tempo tem
O tempo responde ao tempo
Que o tempo tem tanto tempo
Quanto tempo o tempo tem


Na mitologia grega Chronos era a personificação do tempo cronológico, surgido no princípio dos tempos, rodeando o Universo, sem corpo, informe, conduzindo a rotação dos céus e o caminhar eterno do tempo, representado como um homem muito velho de cabelos compridos e barbas brancas, ostentando duas grandes asas, com uma foice numa das mãos e uma ampulheta na outra.
É confundido quase sempre com Cronos que entre os antigos gregos era um Titã, filho de Úrano, o Céu, e de Gaia, a Terra. A pedido de sua mãe, destronou e castrou seu pai e casou com a sua irmã Reia, de quem teve seis filhos, assumindo o poder. Receoso de perder o trono, devorava à nascença os filhos que ia tendo de sua esposa. Esta já farta, na sua última gravidez, deu-lhe em vez do filho, uma pedra embrulhada num pano que ele engoliu sem perceber a troca, salvando-se assim Zeus, que mais tarde, também destronou Cronos, obrigando-o antes de o desterrar, a restituir à vida todos os seus irmãos. Veio então para a Terra, reuniu os homens, deu-lhes leis e governou-os durante um tempo que ficou conhecido como a Idade do Ouro. Foi associado ao Tempo que também devora tudo o que existe. É o Saturno romano.

Imagem de um baixo-relevo romano representando Reia a dar a pedra embrulhada a Cronos

Uma das representações mais célebre de Cronos (Saturno) é a de um quadro pintado por Goya, que mostra um homem devorando o seu próprio filho, numa alegoria ao Tempo, a que é impossível fugir, e que mais tarde ou mais cedo tudo consome.

E afinal o que é o Tempo?

Se formos ao dicionário vemos que é uma palavra com muitos significados: duração, idade, época, estação, era, etc. Também se diz “na noite dos tempos”, ou como nos provérbios populares,”Atrás do tempo, tempo vem” e”Tempo é dinheiro”
Se perguntarmos aos historiadores, eles dirão que o tempo da história é diferente do tempo da ciência, e alguns mais antigos diriam que passamos do Tempo dominante da natureza, ao Tempo dominado pelo homem e depois ao homem dominado pelo Tempo…
Santo Agostinho diria que o Tempo surgiu com a Criação…
Mas se formos fazer a mesma pergunta aos poetas eles diriam como Mário Lago: Eu fiz um acordo de coexistência com o tempo. Nem ele me persegue nem eu lhe fujo. Um dia a gente se encontra.
Mas gosto do poema de Mário Quintana, no seu livro Esconderijos do Tempo, de 1980:

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
Quando se vê, já é 6ªfeira…
Quando se vê, passaram 60 anos…
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
Eu nem olhava o relógio.
Seguia sempre, sempre em frente …
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.


Fontes: Deuses da Mitologia - Editorial Minerva
Wikipédia
Esconderijos do Tempo – Mário Quintana