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sábado, 21 de dezembro de 2013

Natal de 2013




Para todos os meus leitores, os meus votos de um Bom Natal com Saúde, Paz e Amor, e um abraço especial para os meus seguidores.
Como prenda, ofereço um belíssimo poema de Natal escrito pelo poeta João Coelho dos Santos, nascido em Lourosa, Santa Maria da Feira, em 1939.

Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do perú, das rabanadas.

-- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!

- Está bem, eu sei!

- E as garrafas de vinho?

- Já vão a caminho!

- Oh mãe, estou pr'a ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?

- Não sei, não sei...

Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:

- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!

Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papeis
Sem regras nem leis.

E Cristo Menino
A fazer beicinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.

A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!

Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:

- Foi este o Natal de Jesus?!!!


(João Coelho dos Santos in Lágrima do Mar - 1996)





domingo, 23 de dezembro de 2012

Natal, e não Dezembro

 
Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido…
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave…
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.
David Mourão Ferreira
Um abraço do tamanho do mundo com votos de um NATAL cheio de Paz, Saúde e Amor para todos vós!
 


As Antífonas do Ó


São sete antífonas especiais, cantadas no Tempo do Advento, especialmente de 17 a 23 de dezembro antes e depois do Magnificat, na hora canônica das Vésperas. São assim chamadas porque tem início com esse vocativo e foram compostas entre o século VII e o século VIII, sendo um compêndio de cristologia da antiga Igreja, um resumo expressivo do desejo de salvação, tanto de Israel no Antigo Testamento, como da Igreja no Novo Testamento. São orações curtas, dirigidas a Cristo, que resumem o espírito do Advento e do Natal. Expressam a admiração da Igreja diante do mistério de Deus feito Homem, buscando a compreensão cada vez mais profunda de seu mistério e a súplica final urgente: «Vem, não tardes mais!».

A reforma litúrgica pós Vaticano II, ao introduzir o vernáculo na liturgia, não esqueceu os textos das Antífonas do Ó, veneráveis pela antiguidade e atribuídos por muitos ao Papa Gregório Magno (+604). Cada antífona é composta de uma invocação, ligada a um símbolo do Messias, e de uma súplica, introduzida pelo verbo "vir".

Se lidas em sentido inverso, isto é, da última para a primeira, as iniciais latinas da primeira palavra depois da interjeição «Ó», resultam no acróstico «ERO CRAS», que significa «serei amanhã, virei amanhã», que é a resposta do Messias à súplica dos fiéis.

O uso do canto gregoriano nas Antífonas do Ó remonta ao século VI e desde sempre concorda a voz com a Palavra, reafirmando a importância da unidade da celebração, o uníssono da voz de toda a comunidade.

17 de dezembro - Ó Sabedoria
que saístes da boca do altíssimo
atingindo de uma a outra extremidade
e tudo dispondo com força e suavidade:
Vinde ensinar-nos o caminho da prudência

 

18 de dezembro - Ó Adonai
guia da casa de Israel,
que aparecestes a Moises na chama do fogo
no meio da sarça ardente e lhe deste a lei no Sinai
Vinde resgatar-nos pelo poder do Vosso braço.

 

19 de dezembro - Ó Raiz de Jessé
erguida como estandarte dos povos,
em cuja presença os reis se calarão
e a quem as nações invocarão,
Vinde libertar-nos; não tardeis jamais.

 

20 de dezembro - Ó Chave de Davi
o cetro da casa de Israel
que abris e ninguém fecha;
fechais e ninguém abre:
Vinde e libertai da prisão o cativo
assentado nas trevas e à sombra da morte.

 

21 de dezembro - Ó Oriente
esplendor da luz eterna e sol da justiça
Vinde e iluminai os que estão sentados
nas trevas e à sombra da morte.

22 de dezembro - Ó Rei das nações
e objeto de seus desejos,
pedra angular
que reunis em vós judeus e gentios:
Vinde e salvai o homem que do limo formastes

 

23 de dezembro - Ó Emanuel,
nosso rei e legislador,
esperança e salvador das nações,
Vinde salvar-nos,
Senhor nosso Deus.

 

O Advento

 
O Advento (do latim Adventus: "chegada", do verbo Advenire: "chegar a") é o primeiro tempo do Ano litúrgico, o qual antecede o Natal. Começa às vésperas do Domingo mais próximo do dia 30 de Novembro e vai até às primeiras vésperas do Natal de Jesus contando quatro domingos.
A primeira referência ao "Tempo do Advento" é encontrada em Espanha, quando no ano 380, o Sínodo de Saragoça prescreveu uma preparação de três semanas para a Epifania, data em que, antigamente, também se celebrava o Natal.
Em França, S. Perpétuo, bispo de Tours, instituiu seis semanas de preparação para o Natal. É também do final desse século a "Quaresma de São Martinho", que consistia num jejum de 40 dias, começando no dia seguinte à festa de São Martinho.
Somente no final do século VII, em Roma, é acrescentado o aspecto escatológico do Advento, recordando a segunda vinda do Senhor, passando a ser celebrado durante 5 domingos.
 São Gregório Magno (590- 604) foi o primeiro Papa a redigir um ofício para o Advento, e o Sacramentário Gregoriano é o mais antigo em prover missas próprias para os domingos desse tempo litúrgico.
No século IX, a duração do Advento reduziu-se a quatro semanas, como se lê numa carta do Papa São Nicolau I (858-867) aos búlgaros.
Esse tempo possui duas características: Nas duas primeiras semanas, a nossa expectativa se volta para a segunda vinda definitiva e gloriosa de Jesus Cristo, Salvador no final dos tempos. As duas últimas semanas, dos dias 17 a 24 de Dezembro, visam em especial, a preparação para a celebração do Natal, a primeira vinda de Jesus entre nós. Por isto, o Tempo do Advento é um tempo de piedosa e alegre expectativa. Uma das expressões desta alegria é o canto das chamadas "Antífonas do Ó".
No século XII o jejum havia sido já substituído por uma simples abstinência.
Os paramentos litúrgicos(casula, estola, dalmática, pluvial, cíngulo, etc) são de cor roxa, bem como o véu que recobre o ambão, a bolsa do corporal e o véu do cálice; como sinal de recolhimento e conversão em preparação para a festa do Natal. A única excepção é o terceiro domingo do Advento, Domingo Gaudete ou da Alegria, cuja cor tradicionalmente usada é a rósea, em substituição ao roxo, para revelar a alegria da vinda do Salvador que está bem próxima. Também os altares são ornados com rosas cor-de-rosa. O nome de Domingo Gaudete refere-se à primeira palavra do intróito deste dia, que é tirado da segunda leitura que diz: "Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito, alegrai-vos, pois o Senhor está perto"(Fl 4, 4). Também é chamado "Domingo mediano", por marcar a metade do Tempo do Advento, tendo analogia com o quarto domingo do Tempo da Quaresma, chamado Laetare.
A coroa de advento, um dos seus símbolos principais, é feita com ramos verdes, em forma de círculo, geralmente envolvida por uma fita vermelha e onde são postas 4 velas. O círculo representa o elo da união de Deus com os homens.
A cor verde é a cor da esperança e da vida. Os ramos dos pinheiros permanecem verdes apesar dos rigorosos invernos, assim como os cristãos devem manter fé e a esperança apesar das tribulações da vida.
A fita vermelha está ligada à cor do fogo e do sangue. Simboliza a cor da vida, do amor e ao mesmo tempo do derramamento do sangue, do sacrifício.
As 4 velas: uma vela para cada domingo que antecede ao dia 25 de Dezembro, verde no 1º domingo do advento, roxa no 2º domingo, rosa ou rósea no 3º domingo e branca no 4º domingo.
Na liturgia bizantina destaca-se, no domingo anterior ao Natal, a comemoração de todos os patriarcas, desde Adão até José, esposo da Santíssima Virgem Maria. No rito siríaco, as semanas que precedem o Natal chamam-se "semanas das anunciações". Elas evocam o anúncio feito a Zacarias, a Anunciação do Anjo a Maria, seguida da Visitação, o nascimento de João Batista e o anúncio a José.
 Fontes:
 
 





sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A tradição do Bolo-Rei


É no dia 6 de Janeiro que se celebra a chegada dos Reis Magos a Belém, a fim de adorarem o Menino e oferecerem-lhe os seus presentes: ouro, incenso e mirra.
Para estes Magos, o recém-nascido seria um dia o Rei do Mundo. Ora, um rei era o detentor de toda a vida humana e cósmica, o intermediário entre o Céu e a Terra. Por isso as suas ofertas atestavam o reconhecimento das suas funções: real (ouro), sacerdotal (incenso) e profética (mirra).
Para homenagear estes Reis, alguém criou uma iguaria particularmente deliciosa: o Bolo-Rei.
De forma redonda com um grande buraco no meio, enfeitado de frutos secos e cristalizados, de cores variadas, assemelha-se a uma coroa incrustada de pedras preciosas…
E até há bem pouco tempo, dentro da sua massa fofa e saborosa, escondiam-se uma fava e um brinde. Quem encontrasse a fava, teria de pagar o jantar ou então um Bolo-Rei no ano seguinte. Quanto ao brinde, era engraçado ver a alegria da pessoa que o recebia, por muito pequeno ou insignificante que fosse!
Infelizmente, a União Europeia, por alegados motivos de segurança, proibiu a sua inclusão.
Por detrás do bolo-rei está toda uma simbologia com mais de 2000 anos de existência. De uma forma muito resumida, pode dizer-se que esta doce iguaria representa os presentes que os três Reis Magos deram ao Menino Jesus aquando do seu nascimento: assim, a côdea simboliza o ouro; as frutas, cristalizadas e secas, representam a mirra; e o aroma do bolo assinala o incenso.
Ainda na base do imaginário, também a fava tem a sua "explicação". Reza a lenda que, quando os Reis Magos viram a estrela que anunciava o nascimento de Jesus, disputaram entre si qual dos três teria a honra de ser o primeiro a brindar o Menino. Com vista a acabar com aquela discussão, um padeiro confeccionou um bolo escondendo no seu interior uma fava. O Rei Mago a quem calhasse a fatia de bolo contendo a fava seria o primeiro a entregar o presente. O dilema ficou solucionado, embora não se saiba se foi Gaspar, Baltazar ou Belchior o feliz contemplado.
Historicamente falando, a versão é bem diferente. Os romanos usavam as favas para a prática inserida nos banquetes das Saturnais, durante os quais se procedia à eleição do Rei da Festa, também designado Rei da Fava. Este costume terá tido origem num jogo de crianças muito frequente durante aquelas celebrações e que consistia em escolher entre si um rei, tirando-o à sorte com as favas.
Este inocente jogo acabou por ser adaptado pelos adultos, que passaram a fazer uso das favas para votar nas assembleias.
Dado aquele jogo infantil ser característico do mês de Dezembro, a Igreja Católica decidiu relacioná-lo com a Natividade e, depois, também com a Epifania (os dias entre 25 de Dezembro e 6 de Janeiro). Esta última data acabou por ser designada pela Igreja como Dia de Reis, e simbolizada por uma fava introduzida num bolo, cuja receita se desconhece.
Em Espanha e noutros países da Europa, procuram manter a tradição, não só comendo o bolo-rei como aproveitando a ocasião para distribuir os presentes pelas crianças.
Para além desta, havia uma outra tradição, da qual poucos terão conhecimento, que afirmava que os cristãos deveriam comer 12 bolos-reis, entre o Natal e os Reis, festa que muito cedo começou a ser celebrada na corte dos reis de França.
O bolo-rei terá, aliás, surgido neste país, no tempo de Luís XIV, para as festas do Ano Novo e do Dia de Reis. Com a Revolução Francesa, em 1789, a iguaria foi proibida, mas, como bom negócio que era, os pasteleiros continuaram a confeccioná-lo sob o nome de gâteau des san-cullottes.
Vários escritores da época escreveram sobre esta iguaria, e até mesmo o pintor francês Jean-Baptiste Greuze (1725-1805), o imortalizou num famoso quadro com o nome Epiphanie (Le Gâteau des Rois), datado de 1774, e que apresento no fim deste post (clicar no quadro para abrir).
Com isto parece não haver dúvidas que o Bolo-Rei tem verdadeiras origens francesas, apesar do Bolo-Rei popularizado em Portugal no século passado nada ter a ver com o bolo simbólico da festa dos Reis existente na maior parte das províncias francesas a norte do rio Loire, na região de Paris, onde o bolo é uma rodela de massa folhada recheada de creme, que se vende acompanhado de uma coroa.
Tanto quanto se sabe, a primeira Casa a vender e confeccionar o Bolo-Rei em Portugal foi a Confeitaria Nacional, em Lisboa, por volta do ano de 1870, bolo esse feito pelo afamado confeiteiro Gregório através duma receita que Baltazar Castanheiro Júnior trouxera de Paris.
A pouco e pouco, outras confeitarias também passaram a fabricá-lo o que deu origem a várias versões.
No Porto foi posto à venda pela primeira vez em 1890 por iniciativa da Confeitaria Cascais feito segundo receita que o proprietário Francisco Júlio Cascais trouxera de Paris.
Mas foi com a proclamação da República em 5 de Outubro de 1910 que vieram os piores tempos para o Bolo-Rei ficando em risco a sua existência, tudo por causa da palavra “rei”, símbolo do poder supremo que tinha sido derrubado. Ora morto este símbolo, o bolo tinha que desaparecer ou arranjar outra designação.
Os pasteleiros continuaram a fabricá-lo mas com o nome de bolo de Natal ou bolo de Ano Novo.
A designação de bolo Nacional seria a melhor, uma vez que remetia para a confeitaria que o tinha introduzido em Portugal, e também por estar relacionado com o país, o que ficava bem em período revolucionário.
Não contentes com nenhuma destas ideias, os republicanos mais radicais chamaram-lhe bolo Presidente.
Com o passar do tempo, o bolo, felizmente, recuperou o seu nome original e apesar da proibição da fava e do brinde, continua a ser um dos símbolos da quadra natalícia e a encher de clientes as pastelarias nesta altura do ano.


Fontes: www.jornaldascaldas.com

domingo, 25 de dezembro de 2011

NATAL


Menino dormindo…
Silêncio profundo.
Benvindo, benvindo,
Salvador do Mundo!

Noite. Noite fria.
Mas que linda que ela é!
De um lado Maria,
Do outro José.

Um anjo descerra
A ponta do véu…
E cai sobre a Terra
A imagem do Céu!

Pedro Homem de Melo




Sobre André Reinoso, pintor do sec. XVII e considerado o pioneiro do barroco em Portugal, pouco se sabe. Esteve activo entre 1610 e 16150, e a ele se devem obras de grande qualidade, como o conjunto de vinte pinturas pintadas em 1619 sobre a vida de S. Francisco Xavier, situadas sobre o arcaz da sacristia da Igreja de S. Roque, e que serviram de modelo a várias outras pintadas posteriormente.
No Mosteiro dos Jerónimos, no Convento dos Capuchos de Sintra, e em Óbidos também existem obras atribuídas a este excelente pintor, cuja família viveu em Viseu.

A todos um Feliz Natal cheio de Paz e Amor!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Á NOITE DE NATAL

Era noite de inverno longa, e fria,
Cobria-se de neve o verde prado;
O rio se detinha congelado,
Mudava a folha a cor, que ter soía.

Quando nas palhas de uma estrebaria,
Entre dois animais brutos lançado,
Sem ter outro lugar no povoado
O Menino Jesus pobre jazia.

— Meu filho, meu Amor, porque quereis
(Dizia sua Mãe) nesta aspereza
Acrescentar-me as dores, que passais?

Aqui nestes meus braços estareis;
Que se vos força amor sofrer crueza,
O meu não pode agora sofrer mais.

Frei Agostinho da Cruz



A Adoração do Menino é um quadro pintado por Kim Ki-Chang, um pintor sul-coreano, mais conhecido pelo seu apelido Woonbo.
Nascido em 1914 e na sequência de uma febre tifóide que o atacou aos sete anos de idade, ficou completamente surdo.
Aos 17 anos, sua mãe apercebendo-se do talento artístico que ele possuía, mandou-o estudar pintura. Nos primeiros anos dedicou-se à pintura tradicional, mas com o passar do tempo, foi descobrindo o seu próprio estilo.
Em 1951, durante a Guerra da Coreia a sua maneira de pintar sofreu uma grande transformação. Cristão desde muito jovem pintou uma série de obras sobre a vida de Jesus, finalizando-a com quadros de histórias da Bíblia, em que todos os personagens estão vestidos com trajes tradicionais coreanos.
É considerado um mestre da pintura coreana. Faleceu em Janeiro de 2001.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

LITANIA DO NATAL

A noite fora longa, escura, fria.
Ai noites de Natal que dáveis luz,
Que sombra dessa luz nos alumia?
Vim a mim dum mau sono, e disse: «Meu Jesus…»
Sem bem saber, sequer, porque o dizia.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
Na cama em que jazia,
De joelhos me pus
E as mãos erguia.
Comigo repetia: «Meu Jesus…»
Que então me recordei do santo dia.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
Ai dias de Natal a transbordar de luz,
Onde a vossa alegria?
Todo o dia eu gemia: «Meu Jesus…»
E a tarde descaiu, lenta e sombria.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
De novo a noite, longa, escura, fria,
Sobre a terra caiu, como um capuz
Que a engolia.
Deitando-me de novo, eu disse: «Meu Jesus…»
E assim, mais uma vez, Jesus nascia.
José Régio


A Natividade (Te tamari no atua), foi pintada em 1896 por Eugène-Henri-Paul Gauguin, pintor francês pós-impressionista, nascido a 7 de Junho de 1848, em Paris, e falecido em 1903, nas Ilhas Marquesas.
Aqui é possível perceber facilmente a mistura de sua cultura ocidental com o estilo de vida primitivo dos taitianos. Utilizou nativos para retratarr um fato cristão, bem como a cor amarela para enfatizar a santidade de Maria, deitada na cama (clicar no quadro para abrir).
Depois de ter sido marinheiro e empregado bancário, decidiu enveredar pela pintura, ao conhecer Camille Pissarro e o trabalho dos impressionistas. Em constante revolta contra os artifícios e os convencionalismos da época, encetou um retorno às origens em Taiti. A Bretanha constitui contudo o primeiro passo no seu percurso artístico. Libertando-se do Impressionismo, em O Cristo Amarelo (1889) utiliza cores lisas delimitadas por contornos, processo que se assemelha à arte do vitral medieval, e que vai aperfeiçoar naquilo a que se chamou o "cloisonnisme". Em Manao Tupapau (1892), já no Taiti, as prioridades do espaço pictural prevalecem sobre a realidade, as proporções das figuras são deformadas, a perspetiva alterada, as cores são intensas e profundas, mas nunca agressivas. Em A Lua e a Terra (1893) expressa os seus sentimentos sobre a cultura maori. Com O Cavalo Branco (1898) o seu estilo conserva-se essencialmente o mesmo, mas torna-se mais poderoso. A sua obra-prima é a alegoria Donde Vimos? Que Somos? Para Onde Vamos? (1897) uma espécie de testamento mágico-religioso executado antes de uma tentativa de suicídio. A sua arte influenciou diretamente os nabis, o Fauvismo, o Simbolismo e mesmo o Expressionismo de Edvard Munch.

Fontes: Infopedia

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

HISTÓRIA ANTIGA

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.
Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.


Miguel Torga - Antologia Poética


“O Massacre dos Inocentes”, um óleo sobre tela, datado de 1482 e pertencente à Galleria Nazionale di Capodimonte, em Nápoles, é considerado a obra-prima de Matteo di Giovanni di Bartolo, um pintor renascentista italiano também conhecido por Matteo di Siena, por se ter radicado nessa cidade.
Nascido em Borgo Sansepolcro, cerca de 1430, foi viver para Siena quando a sua família para ali se mudou, e aí faleceu em 1495. Entre as suas obras principais contam-se também um retábulo datado de 1477, para o Oratório da Igreja de Nossa Senhora da Neve, em Siena e o retábulo de Santa Bárbara, de 1478/9, para a Igreja de San Domenico.
Imagem: Artchive.com