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segunda-feira, 14 de julho de 2014

Poemas F. Espanca

Fumo
 
Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas;
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu amor pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos...

Florbela Espanca, in "Livro de Soror Saudade"

sábado, 21 de junho de 2014

Poemas Leonel Neves

Gaios no ramo de uma árvore



O gaio e o papagaio

Não sei quem teve a ideia
de contar a um velho gaio
que outra ave papagueia
e se chama papagaio.

Disse o gaio: «Papa-quê?»
Disse o outro: «Papa-gaio!»
Disse o gaio: «Pois você
diga lá a esse bicho
que, se não muda de nome,
não me escapa, ainda o lixo;

que um gaio tem muita fome,
que sou um papão de um raio,
que este velho gaio o papa,
que sou papa-papagaio.»

Quando isto contaram a
um medroso papagaio,
gaguejou: «Eu... sou... pa... pa...»
e depois teve um desmaio.

Engasgou-se a rir, o gaio,
do desmaio do papagaio.

Leonel Neves
Leonel Carlos Duarte Neves, mais conhecido por Leonel Duarte Neves foi um meteorologista e escritor português, nascido na cidade de Faro a 20 de Junho de 1921, tendo falecido em Odiáxere, perto de Lagos a 6 de Setembro de 1996.
A partir de 1937 passou a viver em Lisboa, onde obteve a licenciatura em Ciências Matemáticas na Universidade de Lisboa. Pertenceu ao primeiro curso de meteorologistas portugueses e ingressou no Serviço Meteorológico Nacional desde o seu início, em 1946, tendo sido colocado na Madeira, Moçambique e Timor.
Durante a adolescência, começou a escrever para jornais e revistas no Algarve, tendo conseguido vários prémios nos Jogos Florais. O seu primeiro livro, “Janela Aberta”, foi bem recebido pela crítica, tendo sido elogiado por José Régio. Também escreveu letras para vários músicos, incluindo Anatólio Falé e António Mestre, tendo, com este último, elaborado várias canções e fados, que foram gravados por Amália Rodrigues. Escreveu vários livros, especialmente para o público jovem, tendo trabalhado com António Fernando dos Santos, que lhe ilustrou diversas obras. Participou, igualmente, na antologia” De que são feitos os sonhos”, e na obra colectiva “ Canções e histórias em Quatro Estações”, com o conto” Como é a primavera?”.
·         Janela aberta: poemas (1940)
·         Natural do Algarve (1968)
·         O elefante e a pulga: poemas para crianças (1976)
·         Amigos em todo o mundo: poemas para os jovens e o povo (1977)
·         Histórias de Zé Palão (1979)
·         Um cavalo da cor do arco-íris: romancinho (1980)
·         Bichos de trazer por casa: poemas para crianças (1981)
·         Uma dúzia de adivinhas (1981)
·         O soldadinho e a pomba (1981)
·         O mistério do quarto bem fechado (1985)
·         O cão, o gato e a árvore (1987)
·         Dois macaquinhos à solta (1987)
·         Ontem à noite (1989)
·         Memórias de Timor-Leste (1994)
·         Um Extraterrestre em Lisboa
·         Sete Contos de Espantar
·         Novas Histórias do José Palão
·         Adivinhas e contos para ler na cama
Fontes: Wikipedia
Imagem: www.toucanart.com

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Poemas G. Mistral

Primavera - Carl Larsson


Doña Primavera

Doña Primavera
viste que es primor,
viste en limonero
y en naranjo en flor.

Lleva por sandalias
unas anchas hojas,
y por caravanas
unas fucsias rojas.

Salid a encontrarla
por esos caminos.
¡Va loca de soles
y loca de trinos!

Doña Primavera
de aliento fecundo,
se ríe de todas
las penas del mundo...

No cree al que le hable
de las vidas ruines.
¿Cómo va a toparlas
entre los jazmines?

¿Cómo va a encontralas
junto de las fuentes
de espejos dorados
y cantos ardientes?

De la tierra enferma
en las pardas grietas,
enciende rosales
de rojas piruetas.

Pone sus encajes,
prende sus verduras,
en la piedra triste
de las sepulturas...

Doña Primavera
de manos gloriosas,
haz que por la vida
derramemos rosas:

Rosas de alegría,
rosas de perdón,
rosas de cariño,
y de exultación.
Gabriela Mistral

terça-feira, 1 de abril de 2014

Ruben Dario - poemas



A Margarita Debayle


Margarita está linda la mar,
y el viento,
lleva esencia sutil de azahar;
yo siento
en el alma una alondra cantar;
tu acento:
Margarita, te voy a contar
un cuento:

Esto era un rey que tenía
un palacio de diamantes,
una tienda hecha de día
y un rebaño de elefantes,
un kiosko de malaquita,
un gran manto de tisú,
y una gentil princesita,
tan bonita,
Margarita,
tan bonita, como tú.

Una tarde, la princesa
vio una estrella aparecer;
la princesa era traviesa
y la quiso ir a coger.

La quería para hacerla
decorar un prendedor,
con un verso y una perla
y una pluma y una flor.

Las princesas primorosas
se parecen mucho a ti:
cortan lirios, cortan rosas,
cortan astros. Son así.

Pues se fue la niña bella,
bajo el cielo y sobre el mar,
a cortar la blanca estrella
que la hacía suspirar.

Y siguió camino arriba,
por la luna y más allá;
más lo malo es que ella iba
sin permiso de papá.

Cuando estuvo ya de vuelta
de los parques del Señor,
se miraba toda envuelta
en un dulce resplandor.

Y el rey dijo: «¿Qué te has hecho?
te he buscado y no te hallé;
y ¿qué tienes en el pecho
que encendido se te ve?».

La princesa no mentía.
Y así, dijo la verdad:
«Fui a cortar la estrella mía
a la azul inmensidad».

Y el rey clama: «¿No te he dicho
que el azul no hay que cortar?.
¡Qué locura!, ¡Qué capricho!...
El Señor se va a enojar».

Y ella dice: «No hubo intento;
yo me fui no sé por qué.
Por las olas por el viento
fui a la estrella y la corté».

Y el papá dice enojado:
«Un castigo has de tener:
vuelve al cielo y lo robado
vas ahora a devolver».

La princesa se entristece
por su dulce flor de luz,
cuando entonces aparece
sonriendo el Buen Jesús.

Y así dice: «En mis campiñas
esa rosa le ofrecí;
son mis flores de las niñas
que al soñar piensan en mí».

Viste el rey pompas brillantes,
y luego hace desfilar
cuatrocientos elefantes
a la orilla de la mar.

La princesita está bella,
pues ya tiene el prendedor
en que lucen, con la estrella,
verso, perla, pluma y flor.

* * *

Margarita, está linda la mar,
y el viento
lleva esencia sutil de azahar:
tu aliento.

Ya que lejos de mí vas a estar,
guarda, niña, un gentil pensamiento
al que un día te quiso contar
un cuento.

www.poemas-del-alma.com