sexta-feira, 16 de agosto de 2013

MACBETH




Macbeth - Mac Bethad mac Findláich, ou Maelbeatha (em gaélico escocês MacBheatha mac Fhionnlaigh), e apelidado de Rí Deircc, "Rei Vermelho" (1005 - 15 de agosto de 1057, Aberdeenshire, Escócia) foi o último grande rei gaélico da Escócia.
As lendas e Crónicas de Holinshed falam de um guerreiro nobre que sucedeu a Duncan I, rei da Escócia (1034 - 40) e que mais tarde veio a adoptar como herdeiro, o filho de uma das suas próprias vítimas, mas a sua fama adveio do facto de ser o inspirador da peça teatral Macbeth, de William Shakespeare que, por conveniências de ordem dramática e política, alterou bastante os factos históricos.
Está sepultado na Ilha de Iona, assim como o seu sucessor e enteado.
Nascido no ano de 1005, em algum lugar da Escócia, era filho de Donada (ou Dovada), filha do rei Malcom II e de Findláich mac Ruari (Findleach ou Findlaech), Mormaer (governador hereditário) de Moray, assassinado em 1020, pelos seus sobrinhos.
Um deles, Gillacomgan mac Malbrid, assumiu o título, mas em 1032 morreu queimado com alguns dos seus homens, encurralados numa torre em Burghead Sands, durante um ataque organizado por Macbeth, provavelmente em cooperação com o seu avô, o Rei Malcom, deixando a sua esposa, Gruoch, grávida ou com um filho bébé, Lulach.
Após o ataque, Macbeth casou-se de imediato com a viúva do seu inimigo, uma estratégia bastante comum na sociedade celta da época, pois os laços de parentesco que se formavam com esse acto, evitavam a vingança dos parentes desta e a consequente morte do noivo, assim como dava protecção à viúva e aos filhos que pudessem existir. Para além disso, Gruoch era filha de Beodhe, principe da Escócia, um dos filhos do rei Kenneth III (rei da Escócia, anterior a Malcom II), pelo que o seu direito de sucessão ao trono da Escócia era bastante sólido. No entanto, o facto de ser mulher impedia-a de governar sozinha, pelo que Macbeth, também de linhagem real, ao casar-se com ela fortalecia o seu direito ao trono escocês.
Este direito tornou-se ainda mais forte depois do assassínio do seu sogro Beodhe, cerca de 1033, mas apesar disso, quando o rei Malcom morreu assassinado por parentes no Castelo de Glamis, em Angus, por sua determinação subiu ao trono o seu neto mais velho Duncan I, o Doente (1001-1040), o primeiro rei a ser nomeado por linha directa, o que ia contra a tradição celta de sucessão que estipulava a rotação alternada pelos diversos ramos da família.
Apesar de preterido, Macbeth continuou a apoiar lealmente o seu primo, tal como tinha o tinha feito com o seu avô, mas Duncan acabou por colocar o reino em perigo ao ser foi derrotado tanto pelos viquingues do conde Thorfin, das Órcades, como pelos saxões da Northumbria, a quem tinha declarado guerra.
Revoltado, Macbeth reclamou o trono em nome da esposa e do enteado e aliando-se a um primo de ambos, o Conde de Orkney, derrotou e matou o rei Duncan numa batalha em campo aberto, no ano de 1040, ao contrário da tragédia shakespeariana em que Duncan é apresentado como um rei velho e bondoso, assassinado à traição por seu primo.
Eleito rei, os 17 anos do seu reinado trouxeram a paz à Escócia, apesar de em 1045, uma revolta instigada por Crinan, pai de Duncan e pelo conde Siward de Northumberland, ter originado uma batalha onde os dois revoltosos perderam a vida.
Pouco se sabe sobre o seu casamento, mas deve ter sido harmonioso, pois até à sua morte e ao longo dos seus vinte e cinco anos de uma união provavelmente sem filhos, Macbeth nunca repudiou a esposa por outra mulher mais fértil, como era costume, tendo adoptado o seu enteado Lulach (filho do seu inimigo), como herdeiro.
Em 1050, desloca-se a Roma em peregrinação (o único rei medieval escocês a fazê-lo), e em 1054 tem de fazer frente ao regresso de Malcom mac Duncan, filho mais velho do rei anterior, que após a morte do pai se tinha refugiado junto dos saxões, que lhe deram asilo.
Reivindicando o trono, Malcom derrota Macbeth uma primeira vez em 1054, numa batalha nas cercanias de Scone, e, três anos mais tarde, em Agosto de 1057, na batalha de Lumphanan, em Aberdeenshire, o rei é morto e segundo algumas fontes, decapitado pelo seu vencedor, que sobe ao trono como Malcom III, depois de a 17 de Março de 1058, em Essie, Strathbogie, ter derrubado e morto o seu rival Lulach, o Simples, coroado a 15 de Agosto de 1057 na abadia de Scone no Perthshire, logo após a morte de Macbeth.

Fontes: wikipedia.org
King, Susan Fraser – Lady Macbeth

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Urbano Tavares Rodrigues

 Urbano Augusto Tavares Rodrigues, nascido em Lisboa a 6 de Dezembro de 1923, e filho do também escritor Urbano Rodrigues, faleceu hoje no Hospital dos Capuchos, em Lisboa, onde se encontrava internado, aos 89 anos de idade.

Criado numa família de grandes proprietários agrícolas, passou a sua infância em Moura, Alentejo, recebendo fortemente as influências do campo alentejano e das suas gentes, o que marcou indelevelmente a sua obra escrita.
Licenciado em Filologia Românica desde cedo começou a militar na oposição ao Estado Novo, tendo estado sempre ligado ao Partido Comunista Português o que lhe valeu o impedimento de trabalhar como professor, a prisão em Caxias, onde surgiu como autor da literatura de resistência, e depois o exílio em França. Entre 1949 e 1955, o escritor foi leitor de Português nas Universidades de Montpellier, Aix e Paris.
Regressou a Portugal depois do 25 de Abril de 1974, tendo-se doutorado em Literatura, em 1984, com uma tese sobre a obra de Manuel Teixeira Gomes.
Autor prolífico, figura como um dos mais prestigiados escritores da segunda metade do século XX em Portugal, sendo a sua obra marcada pela consciência do indivíduo face a si mesmo e aos outros, até ao reconhecimento de uma identidade social e política. Além de romances, escreveu em diversas revistas e jornais, como o Bulletin des Études Portugaises, a Colóquio-Letras, o Jornal de Letras, Vértice, Nouvel Observateur, entre outros. Foi director da revista Europa e crítico de teatro d' O Século e do Diário de Lisboa.
Enquanto repórter percorreu grande parte do mundo, tendo reunido os seus relatos de viagem nos volumes Santiago de Compostela (1949), Jornadas no Oriente (1956) e Jornadas na Europa (1958).
Em 1993 jubila-se como professor catedrático da Faculdade de Letras. Foi igualmente professor na Universidade Autónoma de Lisboa Luís de Camões. Foi membro efectivo da Academia de Ciências de Lisboa e membro correspondente da Academia Brasileira de Letras.
Partidário de um comunismo ortodoxo, Urbano afirma que a sua obra foi influenciada pelo existencialismo francês da década de 1950.
Recebeu variados galardões literários, como o Prémio Ricardo Malheiros, da Academia das Ciências de Lisboa, com a obra Uma Pedrada no Charco, o Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários, o Prémio da Imprensa Cultural, o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores e o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco. No entanto a sua maior mágoa era o de não ter ainda recebido o Prémio Camões, amplamente merecido pela sua obra notável.
Segundo o Jornal “ O Público”, “ainda este ano será publicado o seu último livro “Nenhuma Vida”, conforme foi divulgado nesta sexta-feira pela editora.
Esse romance, que será lançado para assinalar os 90 anos do escritor aborda questões que Urbano Tavares Rodrigues tratou na sua obra, mas também ao longo da sua vida, como as lutas políticas e sociais, a solidariedade, as relações humanas, mas também a sexualidade e o erotismo. “É um romance muito curto e onde está todo o espírito do autor”, diz Cecília Andrade, acrescentando que apesar de as personagens não serem auto-biográficas, as questões abordadas têm muito da experiência do autor.
Tem um prefácio escrito pelo próprio e que é já uma despedida. "Daqui me vou despedindo, pouco a pouco, lutando com a minha angústia e vencendo-a, dizendo um maravilhado adeus à água fresca do mar e dos rios onde nadei, ao perfume das flores e das crianças, e à beleza das mulheres. Um cravo vermelho e a bandeira do meu Partido hão-de acompanhar-me e tudo será luz".

Do seu livro “Dias Lamacentos”, apresento um excerto de um conto onde o seu amor pela terra alentejana está bem expressa:
“Terra Vermelha

Á aproximação a Serpa a planície torna-se vermelha. É a argila que lhe dá essa cor forte de sangue de boi.
“Por estes barros – dizia-me o meu pai, quando dantes aqui passávamos – muita gente se esfalfou e ficou sem um vintém.”
Cada qual por si – e o regime das chuvas não se compadecia desse engodo dos pequenos seareiros pela terra úbere. Muitas dessas courelas que uma charrua de sonho e de raiva lavrava contra o destino foram engrossar os latifúndios. Houve seareiros que deram o dó de peito e se penduraram pelo pescoço da pernada de uma sobreira; outros amaltesaram-se, andam por aí com os cães, babando-se, os artelhos à mostra, mortos até para os filhos, que deles se envergonham.
……Sim, tenho de fazer aqui a minha oração à infância (à minha maneira).
Ó meu barranco pessoal, ó azinheira torta, terra que se esboroa sob estes sapatos de camurça que as silvas vão lacerar! Penhascos, zambujeiros, moinhos árabes do longe, o meu Guadiana barrento! Porque será que me apetece chorar? Só aqui, nestes sítios que recorri tantas vez, em rapazinho, nestes barrocais que desgalguei gritando, junto dos freixos e dos vimeiros onde cismei na melhor forma de regressar a casa com os calções rasgados sem erguer as iras do cinto paterno – só aqui se me trava a garganta. O que é que me comove?, a fuga do tempo?, saudade de uma inocência que estou agora forjando? Mas se é tão sincera esta emoção! Aqui descobri a beleza da árvore alentejana no espaço vazio, aqui, depois da sesta e dos mergulhos no rio, acordei poeta, a cantar palavras minhas, pela primeira vez. Aqui descobri a fraternidade e é aqui que ela pulsa mais verdadeira em mim, junto destes deserdados, mesmo dos que não me “sonham” com eles.
….O fuste vermelho de um sobreiro. A terra vermelha. Baixo-me e apanho um torrão. Seco. Cavo, mais fundo, com as minhas mãos inábeis de intelectual, sujo as unhas, doem-me os dedos, mas prossigo, até que uma autêntica terra viva, mais sangrenta, húmida e gorda, já surge; ergo-a, numa das mãos, como numa taça, à altura do rosto. Observo-a de perto, limpo-a das pedras, pergunto-me se será teatral este rito que invento, se foi a máscara que me aderiu à face ou se é a origem que grita neste meu amor. Filho de um lojista que me destinava para altos voos, criado entre a escola e a braseira, vestido de menino fino, nunca fui nem nunca serei camponês. Mas como poeta, criatura de palavras, com um secreto rosto de feridas e de estrelas, tenho também sobre esta terra os meus direitos. Nela fiquei para sempre, ou ela comigo, impressa na cor das borboletas que apanhei, na asa escura das trovoadas, na chama dos mesmos lumes de outrora, nas lágrimas de um povo que se exila para a França.
Excessivo, alucinado serei, mas teu de verdade, sem traição, se assim te cheiro ainda hoje e me comovo por sentir viva nestas mãos, minha terra sem limites, guardada metro a metro por sombras que não te entendem (olhos da força e do medo), minha terra vermelha dos camponeses tristes, a quem não pertences, que partem, mas prometendo tornar – para reverdeceres noutro Maio com a chuva das suas veias.”


 

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Aniversário

Feliz Aniversário e um Muito Obrigado a todos! Até para o ano…



No dia 30 de Julho passado, o baú da história completou o seu 3º aniversário. Dada a minha ausência, não pude fazer um “post” de comemoração desse facto, pelo que aqui vos deixo hoje a minha corujinha favorita com a sua mensagem.
Continuarei a colocar os meus artigos com o mesmo empenho destes anos esperando que continuem a agradar-vos.
Um abraço amigo,
Cassandra

Ausência


 Olá a todos,

 Em primeiro lugar, as minhas desculpas aos meus leitores, particularmente aos meus seguidores (a quem agradeço a constância), por uma tão grande ausência do blog, mas vários factores de ordem pessoal para isso contribuíram, sendo um deles o grande incêndio que deflagrou no Nordeste Transmontano, atrasando ainda mais o meu encontro com o meu velhinho PC, que ficou em casa à minha espera…
Nessa região, cuja paisagem agreste e dura dominada por fragas e penedos enormes, pelas vertiginosas arribas do Douro onde ainda se podem admirar as grandes aves de rapina em plena liberdade e pelas manchas sucessivas de castanheiros (a minha árvore preferida) sempre me encantou, nessa região, dizia eu, tenho familiares e amigos que, alguns deles, chegaram a ter a vida em risco, além da perda de terras e gado.
Percorrendo algumas regiões afectadas, onde cheguei a ter de aguardar algum tempo para que o fogo que grassava junto à estrada e que tinha passado para o outro lado, fosse apagado para podermos continuar a nossa viagem, não consigo compreender como foi possível que o incêndio atingisse tais proporções, com tantos meios à disposição para o seu controle…  
Considerado o maior incêndio do ano em Portugal até agora, com cerca de 14.500 hectares de terra queimada, faz dó olhar para tanto monte outrora tão verdejante e onde hoje apenas vemos terra negra e árvores carbonizadas, que embora mortas, se mantém orgulhosamente de pé!
Transmontana por adopção, lembro-me de um pequeno poema de Miguel Torga, esse sim, um transmontano de gema:
 ECO
 Ah, terra transmontana
Que não tens um cantor à tua altura!
Um Marão inspirado,
Um Douro inquieto,
Um plaino aberto
De carne e osso
Capaz de recriar noutra verdade
Esta grandeza austera,
Onde as pedras parecem ter vontade,
E nenhuma vontade desespera.
                                        In “Antologia Poética”