sexta-feira, 31 de julho de 2015

Aniversário blog

Hoje, 30 de Julho, dia do 5º aniversário do blog, é também internacionalmente comemorado o Dia da Amizade , o que me deixa muito feliz.
A iniciativa para o estabelecimento de um Dia do Amigo reconhecido internacionalmente, teve como antecedente histórico a Cruzada Mundial da Amizade, uma campanha a favor da valorização e realce da amizade entre os seres humanos, de forma a fomentar a cultura da paz, idealizada pelo médico Ramón Artemio Bracho em Puerto Pinasco, Paraguai, a 20 de Junho de 1958, durante um jantar com um grupo de amigos.
A 27 de Abril de 2011, na Assembleia Geral das Nações Unidas (Secção 65), dentro do tratamento da "Cultura da Paz", reconheceu-se "a pertinência e a importância da amizade como sentimento nobre e valioso na vida dos seres humanos de todo o mundo" e decidiu-se designar como Dia Internacional da Amizade o dia 30 de Julho, em concordância com a proposta original promovida pela Cruzada Mundial da Amizade. A iniciativa foi apresentada conjuntamente por 43 países sendo aceite unanimemente pela Assembleia Geral.
No entanto, há países que celebram este dia a 20 de Julho, data da chegada do homem à Lua em 1969. O médico argentino Enrique Ernesto Febbraro enviou cerca de quatro mil cartas para diversos países e idiomas com o intuito de instituir o Dia do Amigo. Febbraro considerava a chegada do homem à lua "um feito que demonstra que se o homem se unir com os seus semelhantes, não há objetivos impossíveis".
Em qualquer destas datas os amigos enviam mensagens de carinho, amizade e afeto aos seus amigos, agradecendo a amizade e dedicação destes.
Para todos os meus amigos, com o meu abraço cheio de afecto e um muito obrigado pelo vosso carinho, aqui vos deixo


O importante da amizade

O importante da amizade não é conhecer o amigo;
e sim saber o que há dentro dele!...

Cada amigo novo que ganhamos na vida, nos aperfeiçoa
e enriquece, não pelo que nos dá, mas pelo
quanto descobrimos de nós mesmos.

Ser amigo não é coisa de um dia. São gestos, palavras,
sentimentos que se solidificam no tempo
e não se apagam jamais.

O amigo revela, desvenda, conforta.
É uma porta sempre aberta em qualquer situação.

O amigo na hora certa, é sol ao meio
dia, estrela na escuridão.

O amigo é bússola e rota no oceano,
porto seguro da tripulação.

O amigo é o milagre do calor humano
que Deus opera no coração.
(Desconhecido)

imagem:recadosdanet.com

PS: Por ontem me ter sido completamente impossível publicar a mensagem do aniversário do blog,  a transcrevo-a hoje, com o mesmo sentimento de ontem...

sábado, 11 de julho de 2015

Magna Carta IV



Após a morte do rei Ricardo,que não deixou descendência, sobe ao trono o seu irmão mais novo, João Sem-Terra, coroado como João I, de Inglaterra.
Embora no início do seu reinado procurasse reorganizar as finanças do país, a sua natureza violenta e cruel, a arrogância e o desprezo com que tratava os nobres – irlandeses, ingleses e normandos – e a impopularidade que já o acompanhava, depressa o tornaram odiado pela maior parte dos seus súbditos.
Uma má estratégia política e militar resultou na perda da quase totalidade das suas possessões no norte da França em 1204 e uma última tentativa em 1214 para recuperar o ducado da Normandia resultou num fracasso total. Em 1211 entrou também em conflito com o Papa Inocêncio III ao recusar-se aceitar o candidato nomeado por este para Arcebispo da Cantuária e ao confiscar os bens eclesiásticos, o que lhe valeu a excomunhão.
As desastrosas campanhas militares exigiam cada vez mais dinheiro e se em 1207, o rei controlava a sexta parte de todo o dinheiro em circulação no país, por volta de 1213 era já a metade desse todo que a Coroa arrecadava, o que não impedia que estivesse arruinada e o reino a braços com uma forte recessão económica.
Aproveitando-se desta debilidade interna, os barões do Norte (os chamados Northeners), ainda não esquecidos do poder que tinham adquirido durante o período da Anarquia revoltaram-se, pelo que por volta de 1212 o país encontrava-se num quase estado de guerra civil.
O humilhante desfecho do conflito que pôs frente a frente o monarca inglês e o autoritário Papa acabou por levar ao rubro a cólera de todos os ingleses. Além da excomunhão, Inocêncio III ameaçou destronar João I e dar a coroa ao seu rival, o rei Filipe Augusto, de França, que preparava uma expedição para invadir a Inglaterra. Perdendo toda a coragem, o rei ajoelhou-se em frente ao legado do Papa e estendeu-lhe a coroa, o que significava que aceitava a Inglaterra como um feudo do sumo pontífice, prometendo também pagar um tributo anual a Roma.
Em 1215, os vassalos romperam o juramento de fidelidade ao rei apoiados pelos burgueses de Londres e outras cidades seguiram-lhe o exemplo, tais como Bury, St. Edmunds e St. Albans, conhecidas como Charter Towns (as cidades da Carta). Liderados pelo Arcebispo da Cantuária, Stephen Langton, apresentaram ao rei, a 10 de Junho de 1215, um documento de 63 cláusulas, a que então se deu o nome de “Artigos dos Barões” (Articles of the Barons), e que foi assinado por ambas as partes a 19 desse mesmo mês, sendo enviadas cópias para as cidades mais importantes do país, existindo hoje apenas quatro delas.
A cláusula 61, a que os historiadores conhecem como “cláusula de segurança” e que estipulava a criação de uma comissão de 25 barões encarregada de vigiar a aplicação da Magna Carta, pressupunha uma humilhação inaceitável para qualquer governante, pois tornava-o formalmente num refém dos seus próprios súbditos.
Imediatamente depois de ser assinada, a Carta foi praticamente ignorada por ambas as partes; os barões não levantaram o cerco a Londres e o rei apelou para o Papa, que excomungou tanto o Arcebispo como os revoltosos, declarando que o documento “era nulo e vazio de qualquer conteúdo”, o que levou ao começo da Primeira Guerra dos Barões que durou de 1215 a 1216, altura da morte de João I.

Para os seus contemporâneos a Magna Carta foi um fracasso, com aplicação problemática uma vez que nenhuma das partes tinha a intenção de cumprir o acordado. Mas os compromissos que continha foram retomados nas décadas seguintes e, com algumas alterações, acabou por ser integrada na legislação inglesa.
Curiosamente, embora as cláusulas da Magna Carta na sua grande maioria tenham sido anuladas ao longo do tempo, substituídas ou simplesmente tornadas irrelevantes, 800 anos depois três delas - sobre a liberdade da igreja de Inglaterra, sobre as liberdades da cidade de Londres e sobre a recusa da privação de liberdade de forma arbitrária - continuam em vigor na lei inglesa, provando a imortalidade e invulgar atualidade de um dos mais importantes documentos da história universal.




domingo, 28 de junho de 2015

MAGNA CARTA - III


Henrique II




 Henrique II (1154-1189), filho de Matilde e Godofredo, além de rei de Inglaterra era também duque da Normandia e é considerado o primeiro rei da Casa Plantageneta (assim chamada por ter uma flor de giesta – plant à genêt- nas suas armas) e cabeça do império angevino.
Pelo lado da mãe possuía a Normandia e a Bretanha; pelo pai, as regiões do Loire, e, após o seu casamento aos 19 anos com a bela e rica Leonor de Aquitânia, ex-rainha de França e 12 anos mais velha, o ducado da Aquitânia de que ela era a herdeira. Por isso, quando subiu ao trono em 1154, pouco depois do seu casamento, Henrique governava um vasto país que se estendia das montanhas da Escócia até aos Pirinéus.
Este rei iria dar um novo impulso à evolução da sociedade inglesa ao tentar submeter tanto a nobreza como o clero à autoridade da Coroa. As suas primeiras medidas foram dirigidas aos nobres que se haviam tornado imprevisíveis durante a crise. Castelos construídos sem autorização real foram desmantelados e um novo sistema de colecta de impostos implementado. A administração pública melhorou significativamente com o estabelecimento de registos públicos criados pelo rei. Descentralizou também o exercício da justiça através de magistrados com poderes de agir em nome da coroa e implementou o julgamento por júri.
Em 1164, o monarca promulgou uma série de leis conhecidas como As Constituições de Clarendon – Constitutions of Clarendon. Estes textos, apresentados no Palácio de Clarendon, em Wiltshire, e que pretendiam diminuir a independência do clero e a influência de Roma na política inglesa, tiveram uma grande influência no posterior desenvolvimento do direito inglês. Entre outras medidas, determinou que os clérigos fossem julgados em casos de assassinato, não só por tribunais eclesiásticos, mas também por um tribunal civil, para assim evitar a sua impunidade.
Mas se conseguiu impôr-se aos seus barões, o rei não quis ou não soube impôr-se aos seus próprios filhos. Da rainha Leonor teve vários filhos varões e por volta de 1170, sentindo-se doente, Henrique decidiu separar os seus territórios de forma a serem herdados pelos diferentes filhos, nada deixando porém ao mais novo, João, por ser ainda muito jovem e que ficou conhecido por João Sem-Terra (John Lackland). O resultado foi desastroso uma vez que os príncipes, apesar do pai ter recuperado a saúde, decidiram mesmo assim apropriar-se das terras antes da sua morte, o que levou a vários anos de guerras civis entre pai e filhos, que culminaram após a morte de Henrique, o Jovem, primeiro e do próprio Henrique II depois, na coroação de Ricardo, Coração de Leão, como rei de Inglaterra.
Ricardo (Oxford, 8 de Setembro de 1157 – Châlus, 6 de Abril de 1199) durante o seu breve reinado de dez anos, apenas passou vários meses em solo inglês. Guerreiro brilhante e experiente(aos 16 anos já comandava o seu próprio exército), educado principalmente por sua mãe no Ducado de Aquitânia e sem saber falar inglês, foi um dos principais chefes da 3ª Cruzada, ficando célebre pelas suas vitórias contra Saladino, embora não conseguisse reconquistar Jerusalém.
Imediatamente após a subida ao trono, começou a preparar a expedição à Terra Santa. Para tal, não hesitou em esvaziar o tesouro do pai, cobrar novos impostos, vender títulos e cargos por somas exorbitantes a quem os quisesse pagar e até libertar o rei Guilherme I da Escócia dos seus votos de vassalagem por cerca de 10.000 marcos. Ao partir, deixou como regente sua mãe, a rainha Leonor, auxiliada pelo seu irmão mais novo, João.
Em 1192, viu-se obrigado a regressar ao reino, devido não só à atitude do irmão que intentava tirar-lhe o trono, mas principalmente devido à ameaça pendente sobre as suas possessões francesas, representada pelo rei Filipe II de França, que lhe cobiçava a Aquitânia e a Normandia. Preso pelo arquiduque de Áustria, o seu resgate custou 150.000 marcos ao tesouro de Inglaterra, soma equivalente ao dobro da renda anual da coroa, o que colocou o país na absoluta bancarrota e obrigou a muitos impostos adicionais nos anos seguintes.
Apesar do esforço do país para o libertar, Ricardo abandonou a Inglaterra de novo ainda no mesmo ano de 1194 para lidar com os problemas fronteiriços com a França nos territórios do continente, mas é morto por uma flecha quando cercava o castelo de Châlus, em 1199.

Ricardo, Coração de Leão

sexta-feira, 19 de junho de 2015

MAGNA CARTA – II

Henrique I






Em 1066, Guilherme, duque da Normandia, invade a Inglaterra, derrotando o rei Harold Godwinson na Batalha de Hastings e sobe ao trono com o nome de Guilherme I, o Conquistador.
Para poder cumprir as suas promessas feitas aos cavaleiros ávidos de saque que o acompanhavam, declarou traidores todos os que pegaram em armas contra ele, e todas as terras que o rei não conservou para si, distribuiu-as pelos seus vassalos normandos, a título de feudos, introduzindo assim o sistema feudal na Inglaterra.
Embora Guilherme permitisse inicialmente aos nobres ingleses manter suas terras em troca da sua submissão. em 1070 a nobreza nativa tinha deixado de ser parte integrante da paisagem inglesa, e em 1086, apenas controlava 8% das suas propriedades originais.
Oprimidos, espoliados das suas terras e dos bens, vendidos como escravos ou reduzidos à situação de servos dos grandes senhores, os Anglo-Saxões, desesperados, por diversas vezes se revoltaram, mas as suas revoltas foram afogadas em sangue.
O ódio aos conquistadores exprime-se nas narrativas populares relativas ao nobre salteador Robin Hood, que vivendo à margem da lei, distribuía pelos pobres o dinheiro que tirava aos ricos
Apenas com o decorrer do tempo o ódio entre Anglo-Saxões e Normandos diminuiu; foi preciso século e meio para que estes dois povos se fundissem num único povo inglês e que o idioma misto, que se transformou na língua inglesa, se consolidasse.
Os sucessores de Guilherme, o Conquistador foram os seus outros filhos, que herdaram do pai a força brutal e o egoísmo impiedoso, assim como parte do seu talento de homem de estado, principalmente o mais novo, que subiu ao trono como Henrique I, reinou de 1100 a 1135 e consolidou o reino de Inglaterra frente a galeses e escoceses.
De acordo com a tradição inglesa e para legitimar o seu reinado, Henrique emitiu uma carta régia, também conhecida como Carta das Liberdades (Charter of Liberties), em que garantia os direitos da nobreza e prometia “abolir todos os maus costumes pelos quais o Reino de Inglaterra era injustamente oprimido.” Apresentou-se como tendo restaurado a ordem a um país devastado por dificuldades e anunciou que iria abandonar as políticas de Guilherme em relação à igreja, que eram vistas como opressivas pelo clero; prometeu também evitar os abusos reais dos direitos de propriedade dos barões, garantindo uma volta aos costumes gentis de Eduardo o Confessor, afirmando também que iria “estabelecer uma paz firme" por toda a Inglaterra, e ordenando que essa paz fosse mantida.
Apesar da Carta das Liberdades ser praticamente ignorada durante mais de um século (até ser recuperada para servir de base à Magna Carta),Henrique I sempre se esforçou por consolidar a sua autoridade mais pela força do Direito do que pela força das armas. Em 1120, sofre uma tragédia pessoal e política com a morte do seu único filho varão de apenas 17 anos de idade, Guilherme Adelin (1103-1120), no naufrágio do “White Ship”, no rio Sena, pelo que para evitar uma guerra de sucessão, e apesar de ter vários filhos ilegítimos, nomeia como sucessora a sua filha Matilde, viúva de Henrique V, imperador do Sacro Império, casada em segundas núpcias com um conde angevino Godofredo de Anjou, obrigando os nobres, por duas vezes, a jurarem-lhe fidelidade.
As consequências foram terríveis; após a morte do rei em 1135 devida a uma intoxicação alimentar provocada pela ingestão de lampreias estragadas, o acesso de uma mulher ao trono, facto inédito em Inglaterra, provocou uma insurreição popular apoiada por grande parte dos nobres e pela igreja, que depressa deflagrou numa guerra civil, entre os partidários da rainha, que se intitulou de Imperatiz Matilde, apoiada pelo seu meio-irmão Robert, conde de Gloucester, e os de Estêvão de Blois, sobrinho do falecido monarca, que na ausência de Matilde se fez coroar rei de Inglaterra e era apoiado pela maioria dos nobres e pelo clero.
Entre 1135 e 1154, a Inglaterra esteve a ferro e fogo, numa guerra tão selvagem que ficou conhecida como “A Anarquia”. Por incrível que pareça, a guerra terminou, não pela vitória militar de uma das partes, mas porque, alguns barões e notáveis do país se recusaram a continuar uma luta inútil, dispendiosa e excessivamente longa e impuseram aos dois monarcas em litígio, em 1153 o Tratado de Winchester (o Wallingford), em que após a morte de Estêvão de Blois, o sucessor seria, não o seu herdeiro, mas o filho de Matilde, o jovem Henrique, coroado em 1154 como Henrique II Plantagenet.
Esta imposição dos nobres seria, em grande medida, o gérmen da atitude que os barões tomariam em 1212...




Godofredo e Matilde