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Ilustração de Dante
Gabriel Rossetti para a
capa de Goblin Market and Other Poems (1862), primeiro de poemas de
Christina Rossetti
Song
When I am
dead, my dearest,
Sing no
sad songs for me;
Plant thou
no roses at my head,
Nor shady
cypress tree;
Be the
green grass above me
With
showers and dewdrops wet;
And if
thou wilt, remember,
And if
thou wilt, forget.
I shall
not see the shadows,
I shall
not feel the rain;
I shall
not hear the nightingale
Sing on,
as if in pain;
And
dreaming through the twilight
That doth
not rise nor set,
Haply I
may remember
And haply
may forget.
Quando
estiver morta, querido amor,
Não
cantes canções tristes por mim,
Não
plantes rosas sobre a minha cabeça,
Nem um
ombroso cipreste;
Que nasça
a verde erva sobre mim
Regada de
gotas e orvalho;
E se te
apetecer, recorda,
E se te
apetecer, esquece.
Eu não
mais verei as sombras,
Não
sentirei a chuva,
Nem
ouvirei o rouxinol
A cantar
como se sofresse;
E sonhando
num crepúsculo
Que não
nasce nem se põe,
Talvez
possa recordar
Talvez
possa esquecer.
Christina
Rossetti – in Goblin Market and Other Poems
Fontes:
wikipedia org.
Os Poetas
Pré-Rafaelitas, Antologia Poética – Círculo de Leitores
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quinta-feira, 20 de agosto de 2015
Christina Georgina Rossetti
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Os Burgueses de Calais
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Uma das 12 cópias do grupo, em
Londres
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O Monumento aos Burgueses de Calais,
que ocupou Rodin durante onze anos, evoca um episódio da Guerra dos
Cem Anos, relatado pelo cronista Froissart nas suas “Crónicas de
França”, (1370-1400).
A história narra o patriotismo e a
coragem de seis dos mais notáveis cidadãos de Calais, que
voluntariamente se ofereceram como reféns ao rei Eduardo III de
Inglaterra, para que levantasse o cerco da cidade e salvasse as
populações famintas. Rodin retrata estes mártires num momento
crucial, quando se dispunham a abandonar a Praça do Mercado a
caminho da execução.
O
Cerco de Calais
Eduardo
III, de Inglaterra, que através da sua linhagem materna, reclamava
também o reino de França, invadiu o reino e depois de derrotar os
franceses nas Batalhas de Sluyis em 1340 e de Crécy em 1346,
necessitava de um porto de águas profundas para garantir o
transporte dos abastecimentos provenientes de Inglaterra.
Calais,
situada no Estreito de Dover, no ponto mais estreito do Canal da
Mancha, e sendo a cidade francesa mais próxima da Inglaterra,
estava perfeitamente apropriada
para os propósitos do monarca inglês. Era altamente defensável,
com duplo fosso e muralhas que tinham sido erguidas cem anos antes. A
cidadela no lado noroeste da cidade tinha o seu próprio fosso e
fortificações adicionais. Assim, o rei inglês reivindicou-a por
direito, mediante o seu título de conde de Ponthieu
A cidade foi cercada no dia 3 de
Setembro de 1346 por um exército de cerca de 34.000 homens
comandados pelo próprio rei, enquanto que dentro da cidade as forças
francesas comandadas pelo governador Jean de Vienne, contavam apenas
com 7 a 8.000 cidadãos.
Apesar da disparidade dos números,
e mesmo sabendo que não conseguiriam ser socorridos pelos seus, os
franceses resistiram heroicamente aguentando o cerco, e capitulando
apenas quando a fome que já grassava na cidade se tornou
insuportável , precisamente no dia 4 de Agosto de 1347, onze
meses mais tarde.
Furioso com esta longa demora,
Eduardo III ordenou primeiro a execução em massa dos habitantes,
mas acabou por aceitar poupar-lhes a vida em troca da presença dos
seis homens mais importantes da cidade, descalços, vestidos apenas
com as roupas interiores e de baraço ao pescoço.
Eustache de Saint-Pierre, o mais
velho e rico dos burgueses foi o primeiro a oferecer-se para o
sacrifício, no que foi seguido por Jean d'Aire, que levava a chave
do castelo, Pierre et Jacques de Wissant, Andrieu d’Andres y Jean
de Fiennes.
Mas no momento em que o rei ia dar o
sinal para serem executados, sua esposa, a rainha Philippa de
Hainaut, que se encontrava grávida e tinha acompanhado o marido
durante o cerco, ao ver os seis infelizes suando de calor e tremendo
de medo pela cólera do rei, cobertos de trapos, com a corda ao
pescoço, trazendo nas mãos as chaves da cidade e do castelo,
ajoelhou-se aos pés do marido, suplicando por misericórdia, em nome
do filho ainda por nascer.
Impressionado com a bondade da
rainha, Eduardo acalmou-se e mandou que os libertassem.
Calais continuou inglesa até ao
reinado de Maria Tudor, quando a França reconquistou definitivamente
a cidade.
Em Setembro de 1884, o município de
Calais, propôs erigir um monumento, com a ajuda de uma subscrição
nacional, ao heroísmo de Eustache de Saint-Pierre e seus
companheiros. Para isso foram escolhidos dois artistas que não
puderam executar a obra; o primeiro, David d'Angers porque ter
falecido e o segundo, Auguste Clésinger, devido à guerra
Franco-Prussiana. Foi feito então um convite a vários escultores,
Rodin incluído, para apresentarem os seus esboços.
Baseado no relato histórico de
Froissart, o escultor põe mãos à obra, ainda sem um contrato
definitivo. Logo a partir da primeira maquete, impõe-se a noção de
sacrificio colectivo. Não é um burguês de Calais que ele quer
representar, mas sim seis, numa lenta procissão para a morte Os
personagens que todavia não estão individualizados, apresentam-se
num mesmo plano, movendo-se em torno uns dos outros, sem se tocarem e
sem distinção de hierarquias, vestidos com a camisa dos condenados.
Os pés e as mãos das figuras são demasiado grandes para o seu
tamanho e os gestos tetrais ainda mais enfatizam as suas diferentes
atitudes face ao martírio; ira, medo, orgulho...Eustache de
Saint-Pierre, o mais velho, no centro do grupo inclina-se para a
frente, as mãos caídas, pesadas, Jean d'Aire de cabeça erguida,
desafiante, leva nas mãos uma chave enorme, as pernas afastadas,
Andrieu d'Andres leva as mãos à cabeça, em desespero e Jean de
Fiennes, o mais novo e o mais relutante, abre os braços com as mãos
viradas para dentro . O seu vizinho, Pierre Wissant, com a mão
direita levantada e o indicador apontado para si mesmo parece
perguntar: Porquê eu? . Jacques Wissant atrás de Eustache, levanta
a mão numa interrogação ou protesto
O grupo forma uma espiral, obrigando
assim o espectador a rodeá-las para que as possa observar na sua
totalidade.
Feito em bronze, o monumento é, sem
dúvida alguma, uma das sua obras mais importantes. Foi inaugurado na
Praça do Soldado Desconhecido, diante da prefeitura de Calais, em
1895, apesar das muitas críticas que recebeu.
Actualmente existem vários
exemplares desta famosa escultura no mundo.
Fontes:
Marsh,
w.b. E Bruce Carrick – 365 grande histórias da História
www.museu.gulbenkian.pt/
wikipedia.org
sexta-feira, 31 de julho de 2015
Aniversário blog
Hoje,
30 de Julho, dia do
5º aniversário do blog,
é também internacionalmente comemorado o Dia
da Amizade , o que me deixa muito
feliz.
A
iniciativa para o estabelecimento de um Dia do Amigo reconhecido
internacionalmente, teve como antecedente histórico a Cruzada
Mundial da Amizade,
uma
campanha a favor da valorização e realce da amizade entre os seres
humanos, de forma a fomentar a cultura da paz, idealizada pelo médico
Ramón Artemio
Bracho
em
Puerto Pinasco, Paraguai, a 20 de Junho de 1958, durante um jantar
com um grupo de amigos.
A
27 de Abril de 2011,
na Assembleia
Geral das Nações Unidas (Secção
65),
dentro
do tratamento da "Cultura da Paz", reconheceu-se "a
pertinência e a importância da amizade como sentimento nobre e
valioso na vida dos seres humanos de todo o mundo" e decidiu-se
designar como Dia Internacional da Amizade o dia 30 de Julho, em
concordância
com a proposta original promovida pela Cruzada Mundial da Amizade. A
iniciativa foi apresentada conjuntamente por 43 países sendo aceite
unanimemente pela Assembleia Geral.
No
entanto, há países que celebram este dia a 20 de Julho, data da
chegada do homem à Lua em 1969. O médico argentino Enrique Ernesto
Febbraro enviou cerca de quatro mil cartas para diversos países e
idiomas com o intuito de instituir o Dia do Amigo. Febbraro
considerava a chegada do homem à lua "um feito que demonstra
que se o homem se unir com os seus semelhantes, não há objetivos
impossíveis".
Em qualquer destas datas os amigos
enviam mensagens de carinho, amizade e afeto aos seus amigos,
agradecendo a amizade e dedicação destes.
Para todos os meus amigos, com o meu
abraço cheio de afecto e um muito obrigado pelo vosso carinho, aqui
vos deixo
O importante da
amizade
O importante da amizade não é conhecer o amigo;
e sim saber o que há dentro dele!...
Cada amigo novo que ganhamos na vida, nos aperfeiçoa
e enriquece, não pelo que nos dá, mas pelo
quanto descobrimos de nós mesmos.
Ser amigo não é coisa de um dia. São gestos, palavras,
sentimentos que se solidificam no tempo
e não se apagam jamais.
O amigo revela, desvenda, conforta.
É uma porta sempre aberta em qualquer situação.
O amigo na hora certa, é sol ao meio
dia, estrela na escuridão.
O amigo é bússola e rota no oceano,
porto seguro da tripulação.
O amigo é o milagre do calor humano
que Deus opera no coração.
O importante da amizade não é conhecer o amigo;
e sim saber o que há dentro dele!...
Cada amigo novo que ganhamos na vida, nos aperfeiçoa
e enriquece, não pelo que nos dá, mas pelo
quanto descobrimos de nós mesmos.
Ser amigo não é coisa de um dia. São gestos, palavras,
sentimentos que se solidificam no tempo
e não se apagam jamais.
O amigo revela, desvenda, conforta.
É uma porta sempre aberta em qualquer situação.
O amigo na hora certa, é sol ao meio
dia, estrela na escuridão.
O amigo é bússola e rota no oceano,
porto seguro da tripulação.
O amigo é o milagre do calor humano
que Deus opera no coração.
(Desconhecido)
imagem:recadosdanet.com
PS: Por ontem me ter sido completamente impossível publicar a mensagem do aniversário do blog, a transcrevo-a hoje, com o mesmo sentimento de ontem...
sábado, 11 de julho de 2015
Magna Carta IV
Após
a morte do rei Ricardo,que não deixou descendência, sobe ao trono o
seu irmão mais novo, João Sem-Terra, coroado como João I, de
Inglaterra.
Embora no
início do seu reinado procurasse reorganizar as finanças do país,
a sua natureza violenta e cruel, a arrogância e o desprezo com que
tratava os nobres – irlandeses, ingleses e normandos – e a
impopularidade que já o acompanhava, depressa o tornaram odiado pela
maior parte dos seus súbditos.
Uma
má estratégia política e militar resultou na perda da quase
totalidade das suas possessões no norte da França em 1204 e uma
última tentativa em 1214 para recuperar o ducado da Normandia
resultou num fracasso total. Em 1211 entrou também em conflito com o
Papa Inocêncio III ao recusar-se aceitar o candidato nomeado por
este para Arcebispo da Cantuária e ao confiscar os bens
eclesiásticos, o que lhe valeu a excomunhão.
As
desastrosas campanhas militares exigiam cada vez mais dinheiro e se
em 1207, o rei controlava a sexta parte de todo o dinheiro em
circulação no país, por volta de 1213 era já a metade desse todo
que a Coroa arrecadava, o que não impedia que estivesse arruinada e
o reino a braços com uma forte recessão económica.
Aproveitando-se
desta debilidade interna, os barões do Norte (os chamados
Northeners), ainda não esquecidos do poder que tinham adquirido
durante o período da Anarquia revoltaram-se, pelo que por volta de
1212 o país encontrava-se num quase estado de guerra civil.
O
humilhante desfecho do conflito que pôs frente a frente o monarca
inglês e o autoritário Papa acabou por levar ao rubro a cólera de
todos os ingleses. Além da excomunhão, Inocêncio III ameaçou
destronar João I e dar a coroa ao seu rival, o rei Filipe Augusto,
de França, que preparava uma expedição para invadir a Inglaterra.
Perdendo toda a coragem, o rei ajoelhou-se em frente ao legado do
Papa e estendeu-lhe a coroa, o que significava que aceitava a
Inglaterra como um feudo do sumo pontífice, prometendo também pagar
um tributo anual a Roma.
Em
1215, os vassalos romperam o juramento de fidelidade ao rei apoiados
pelos burgueses de Londres e outras cidades seguiram-lhe o exemplo,
tais como Bury, St. Edmunds e St. Albans, conhecidas como Charter
Towns (as cidades da Carta). Liderados pelo Arcebispo da Cantuária,
Stephen Langton, apresentaram ao rei, a 10 de Junho de 1215, um
documento de 63 cláusulas, a que então se deu o nome de “Artigos
dos Barões” (Articles of the Barons), e que foi assinado por ambas
as partes a 19 desse mesmo mês, sendo enviadas cópias para as
cidades mais importantes do país, existindo hoje apenas quatro
delas.
A
cláusula 61, a que os historiadores conhecem como “cláusula de
segurança” e que estipulava a criação de uma comissão de 25
barões encarregada de vigiar a aplicação da Magna Carta,
pressupunha uma humilhação inaceitável para qualquer governante,
pois tornava-o formalmente num refém dos seus próprios súbditos.
Imediatamente
depois de ser assinada, a Carta foi praticamente ignorada por ambas
as partes; os barões não levantaram o cerco a Londres e o rei
apelou para o Papa, que excomungou tanto o Arcebispo como os
revoltosos, declarando que o documento “era nulo e vazio de
qualquer conteúdo”, o que levou ao começo da Primeira Guerra dos
Barões que durou de 1215 a 1216, altura da morte de João I.
Para
os seus contemporâneos a Magna Carta foi um fracasso, com aplicação
problemática uma vez que nenhuma das partes tinha a intenção de
cumprir o acordado. Mas os compromissos que continha foram
retomados nas décadas seguintes e, com algumas alterações, acabou
por ser integrada na legislação inglesa.
Curiosamente,
embora as cláusulas da Magna Carta na sua grande maioria tenham sido
anuladas ao longo do tempo, substituídas ou simplesmente tornadas
irrelevantes, 800 anos depois três delas - sobre a liberdade da
igreja de Inglaterra, sobre as liberdades da cidade de Londres e
sobre a recusa da privação de liberdade de forma arbitrária -
continuam em vigor na lei inglesa, provando a imortalidade e invulgar
atualidade de um dos mais importantes documentos da história
universal.
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