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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Cronologia dos Reis Godos


A dominação dos visigodos na Península Ibérica durou cerca de três séculos e foi durante este período que se estabeleceram na Península os traços fundamentais do que viria a ser a sociedade medieval portuguesa: uma sociedade tripartida, formada por clero, nobreza e povo.
Praticando a religião ariana, a sua fusão com os católicos habitantes hispano-romanos da Hispânia, não foi fácil. Regiam-se por leis diferentes, e os casamentos mistos eram proibidos. Eram uma classe de guerreiros, e só a eles era permitido usar armas.
Em 589, o rei visigodo Recaredo converteu-se ao catolicismo, e em 654, foi elaborada uma lei geral – o Código Visigótico – que se destinava a ser aplicada a todos os habitantes da Península, independentemente da sua raça.
Em 711, o rei Rodrigo foi completamente vencido na batalha de Guadalete, pelo berbere Tarik, que atravessando com o seu exército o estreito de Gibaltar, deu início à invasão árabe da Península, pondo fim ao domínio visigodo.
Reino Ariano de Toulouse

Alarico I - (395-410)
Ataúlfo - (410-415)
Sigerico - (415)
Vália (ou Wália) - (415-418)
Teodorico I - (418-451)
Turismundo - (451-453)
Teodorico II - (453-466)
Eurico - (466-484)
Alarico II - (484-507)

Reino Ariano de Toledo

Gesaleico (ou Geserico) (507-511)
Amalarico (511-531)
Têudis (531-548)
Teudiselo (ou Teudisigelo) (548-549)
Ágila I (ou Agila I) (549-554)
Atanagildo (554-567)
Liúva I (567-572)
Leovigildo (572-586)

Reino Católico de Toledo

Recaredo I (586-601)
Liúva II (601-603)
Viterico (ou Witerico) (603-610)
Gundemaro (610-612)
Sisebuto (612-621)
Recaredo II (621)
Suíntila (621-631)
Sisenando (631-636)
Chintila (636-639)
Tulga (639-642)
Chindasvinto (642-653)
Recesvinto (653-672)
Vamba (ou Wamba) (672-680)
Ervígio (680-687)
Égica (687-702),
Vitiza (ou Witiza) (702-710)
Rodrigo (ou Roderico) (710-711)

Fim do Reino de Toledo e Invasão muçulmana da Hispânia.


De todas as terras quantas há desde o Ocidente até à Índia, tu és a mais formosa, ó sacra Hispânia, mãe sempre feliz de príncipes e de povos!
(…) Com razão te cobiçou Roma, cabeça das gentes e embora te desposasse a vencedora fortaleza Romúlida, depois o florescentíssimo povo godo após vitoriosas peregrinações por outras partes da orbe, a ti amou, a ti raptou e goza-te agora com segura felicidade, entre a pompa régia e o fausto do Império.
Santo Isidoro de Sevilha, De Laude Spaniae.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Genserico, Rei dos Vândalos – II

Com o assassinato de Valentiniano III, Genserico deu por terminado o seu acordo com Roma, e em 455 lança um ataque à capital do Império. O Papa Leão I sai ao seu encontro, e tal como tinha feito três anos antes com o rei dos Hunos, Átila, pede-lhe que poupe a cidade. Mas o rei vândalo concorda apenas em respeitar vidas, igrejas e edifícios e durante duas semanas as hordas vândalas lançam-se sobre a cidade, arrebanhando tudo o que tivesse algum valor.
Quando regressa a Cartago, leva consigo como reféns a imperatriz viúva Licina Eudoxia e as suas duas filhas, Placídia e Eudoxia, assim como ouro, obras de arte, artesãos, armamento e os tesouros do Templo de Jerusalém trazidos pelo Imperador Tito em 77 d.C., quando destruiu a cidade, deixando atrás de si uma Roma profundamente humilhada.
O valor do saque foi tal, que, tanto romanos como bizantinos lançaram vários ataques contra Genserico, para o reaverem, mas sem sucesso. No último deles, em 468, o velho rei derrotou a frota conjunta de Roma e Bizâncio, junto ao Cabo Born, a norte da Tunísia, incendiando as mais de mil naves que a compunham. Em 474, os Bizantinos assinaram uma paz perpétua, reconhecendo a soberania vândala sobre todas as províncias por eles conquistadas.
Internamente, Genserico estabeleceu a monarquia hereditária ao designar seu filho Hunerico, como seu sucessor, contrariando o antigo costume da livre eleição do chefe pela nobreza vândala. Isto deu origem a uma revolta que o rei reprimiu com toda a violência e sem qualquer piedade, aproveitando para debilitar a nobreza tradicional substituindo-a por outra mais leal à sua família.
Com as mulheres da família imperial em seu poder, Genserico obrigou o seu herdeiro a repudiar a princesa visigoda com quem estava casado, acusando-a de traição, e enviando-a de volta à família seriamente ferida e mutilada, com as orelhas e o nariz cortados, casando-o depois com Eudóxia, uma das princesas romanas.
Incentivou a segregação racial proibindo os casamentos mistos, com excepção dos da família real por motivos políticos e permitiu o porte de armas apenas ao seu povo. Ariano convicto como todos os vândalos, perseguiu duramente o catolicismo, confiscando os bens da Igreja Católica, deportando bispos e sacerdotes, e impondo pesados impostos às famílias de origem romana e ao clero, o que lhe valeu a oposição de toda a Igreja africana.
Morreu a 25 de Janeiro de 477, vencido pela idade, ao fim de 50 anos de reinado, senhor incontestado do Mediterrâneo ocidental.

Fontes: www.wikipedia.org
Grinberg, Carl – História Universal
Revista Historia Y Vida

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Genserico, rei dos Vândalos – I

Se Átila, rei dos Hunos, ficou conhecido como o Flagelo de Deus, Genserico, rei dos vândalos, foi comparado ao Quarto Cavaleiro do Apocalipse pelos católicos da época.
Expulsos das margens do Danúbio pelos Hunos, os Vândalos aproveitando o congelamento do Reno, cruzaram a fronteira com a Gália na noite de 31 de Dezembro de 406, juntamente com parte dos alanos e suevos que se lhes tinham juntado, enfrentando as tropas romanas e os seus aliados, os francos, após a travessia do rio. Na batalha que se seguiu, o rei Geodesildo morreu, sendo sucedido no trono pelo seu filho Gunderico, que após ter saqueado a Gália durante cerca de 3 anos, foi forçado pelos romanos a estabelecer-se na Península Ibérica, onde após vários confrontos com os visigodos, se fixaram no sul da província, escolhendo Sevilha como sua capital, e controlando o tráfico marítimo através de Gibraltar.
Filho ilegítimo do rei Geodesildo e de uma mulher alana, Genserico nasce provavelmente cerca de 389, junto ao Lago Balaton (actual Hungria), sendo eleito rei dos vândalos e alanos em 427/8, depois de um conflito entre os dois irmãos, que acabou com a morte de Gunderico.
No ano de 429, aproveitando o pedido de auxílio feito por Bonifácio, governador romano da província da África Proconsular, em luta com a elite romana, abandona a Bética aos visigodos, e transpondo o estreito a partir de Tarifa, desembarca entre Tânger e Ceuta, à frente de todo o seu povo, cerca de oitenta a cem mil pessoas, incluindo velhos, mulheres e crianças, com a intenção de fundar um novo reino.
A fim de impedir um ataque dos romanos e seus aliados, destrói a frota inimiga fundeada em Barcino e ordena aos seus homens que arrasem Tânger. Em pouco tempo controla um território que abrangia a zona costeira do actual Marrocos e Argélia, e dirigindo-se para leste, põe cerco por terra e mar à cidade de Hipona (actual Anaba, na Argélia). Entre as vítimas da carestia que assolou a cidade durante os treze meses de assédio a que foi submetida, conta-se Santo Agostinho, Bispo de Hipona, então com 75 anos de idade, considerado um dos Doutores da Igreja.
Os africanos, fartos do poder de Roma, aliaram-se aos vândalos e em 435 o Imperador Valentiniano III é forçado a reconhecer Genserico como soberano dos territórios conquistados.
Em 439, apodera-se de Cartago, a segunda cidade do Império e o principal porto do Mediterrâneo, apresando a frota imperial ali atracada. Faz da cidade a sua capital, e a partir dali, as suas naus pilham, saqueiam, raptam, conquistando bases marítimas de grande valor comercial e estratégico como a Córsega, Sícilia, Sardenha, ou Baleares. Privada dos seus “celeiros” tradicionais, Roma vê-se obrigada a comprar os cereais de que necessita, o que deixa os romanos enfurecidos.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Manuel da Fonseca


Comemorou-se no dia 15 deste mês (Outubro), o centenário de um dos melhores representantes do movimento neo-realista português e um dos grandes escritores da literatura portuguesa.
Nascido em Santiago do Cacém a 15 de Outubro de 1911, Manuel Lopes da Fonseca vai viver com a família para Lisboa em 1923, começando a publicar os seus primeiros poemas em 1925 num semanário da sua terra. Frequenta o Liceu Camões onde conhece Álvaro Cunhal, também aí aluno como ele, e mais tarde, a Escola de Belas-Artes. Apesar de não ter sobressaído na área das Belas-Artes, deixou alguns registos do seu traço sobretudo nos retratos que fazia de alguns dos seus companheiros de tertúlias lisboetas como é o caso do de José Cardoso Pires.
Em 1937 casa-se com Mabilde Matias e em 1940 publica o seu primeiro livro de poesia, “Rosa-dos-Ventos”, seguindo-se “Planície”, no ano seguinte. Estreia-se em ficção com os contos “Aldeia Nova”, em 1942, e em 1943 publica o romance “Cerromaior”, que foi transposto para o cinema em 1980, pelo realizador Luís Felipe Rocha.
Nas suas obras, carregadas de intervenção social e política, relata como poucos a vida dura do Alentejo e dos alentejanos. Autor de uma obra ancorada na realidade e eivada de um apontado regionalismo, a escrita de Manuel da Fonseca ultrapassa a contingência histórica de que nasceu, por um enaltecimento da vida, compreendida como intrinsecamente livre das imposições, frustrações, mentiras e condicionamentos impostos pela sociedade, ânsia de libertação, simbolizada, por exemplo, na repressão sexual imposta a algumas figuras femininas ou na admiração de figuras marginais como o "maltês" ou o vagabundo.
Além de romancista, poeta, contista e cronista, foi também argumentista (o filme “Os Três da Vida Airada” é disso exemplo), e esteve também ligado à música através de poemas que escrevia para alguns dos cantores portugueses. Escreveu também para jornais e revistas e fez parte do grupo do Novo Cancioneiro.
Era presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores quando esta atribuiu o Grande Prémio da Novelística a José Luandino Vieira pela sua obra Luuanda, o que levou ao encerramento desta instituição e à sua prisão pela PIDE.
Em 1972 casa com Arlete Ventura e em 1983 é condecorado com o grau de Comendador da Ordem de Sant’Iago da Espada. Em 1985 casa com Hermínia Matos e morre a 11 de Março de 1993 no Hospital de S. José, devido a uma queda na sua residência, em Santiago do Cacém.
No prefácio de uma das edições dos contos “O Fogo e as Cinzas” (1951), Manuel da Fonseca escreve:
“As pessoas de quem escrevo são as que houve na minha vida. Gente de família ou conhecida. Nelas me fui descobrindo e sendo eu próprio as vidas que contei. É isso, eu. Até quando escutava a vida de algum desconhecido, logo descobria que esse desconhecido era dois ou três indivíduos que já conhecia, um dos quais, com o tempo, começava a ser eu”.
As suas obras, para além das já citadas, são:
Poemas Completos – 1958
Um Anjo no Trapézio – 1968
Tempo de Solidão – 1973
Antologia de Fialho de Almeida - 1984
Crónicas Algarvias – 1986, escritas no jornal “A Capital”, de quem era colaborador.

Fontes: www.wikipedia.org
www.infopedia.pt
Jornal Expresso – semanário semmais




ANTES QUE SEJA TARDE

Amigo,
Tu que choras uma angústia qualquer
E falas de coisas mansas como o luar
E paradas
Como as águas de um lago adormecido,
Acorda!
Deixa de vez
As margens do regato solitário onde miras
Como se fosses a tua namorada.
Abandona o jardim sem flores
Desse país inventado
Onde tu és o único habitante.
Deixa os desejos sem rumo
Do barco ao deus-dará
E esse ar de renúncia
Às coisas do mundo.
Acorda, amigo,
Liberta-te dessa paz podre de milagre
Que existe
Apenas na tua imaginação.
Abre os olhos e olha
Abre os braços e luta!
Amigo,
Antes de a morte vir
Nasce de vez para a vida.

Manuel da Fonseca – Poemas Completos


sábado, 19 de fevereiro de 2011

O Túmulo de Gala Placidia - II

Na luneta que encima a porta foi representado o Bom Pastor, sentado com a Cruz, entre os seus cordeiros, numa paisagem de rochas e arbustos; na luneta oposta, ao fundo, vê-se S. Lourenço, ou talvez S. Vicente de Saragoça, e uma estante com os Evangelhos ladeando a fogueira e a grelha, símbolos do seu martírio. Nas quatro paredes do cruzeiro estão representados oito apóstolos, numa atitude um pouco mais rígida e menos naturalista. Tudo está imerso em céus de um azul nocturno com estrelas geométricas, nas abóbadas, e com representações de cervos que buscam a água da fonte da Vida.


Existem três sarcófagos principais no interior do mausoléu, um em cada extremidade dos braços, salvo a entrada. Possivelmente nenhum deles pertence à construção original. Os dois na transversal possuem um desenho simples, consistindo de uma caixa com decorações em relevo e uma tampa em V invertido a simular um telhado. O que está oposto à entrada, que antigamente foi considerado o de Gala Placídia, é bem mais rústico. No lugar desse terceiro sarcófago deve ter existido um altar, e, segundo o costume, esse altar deveria conter alguma relíquia de um santo, naturalmente aquele representado na cena acima, que seria o padroeiro dessa pequena capela mortuária. Outros dois sarcófagos menores jazem ao lado da entrada.



Fontes: wikipedia.org
História da Arte, vol.3, edições Alfa




quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O túmulo de Gala Placidia - I

Situada em Ravena, data do primeiro quartel do século, entre 402 e 425, a igreja destruída da Santa Cruz. Tinha planta cruciforme precedida por um grande nartece, num dos extremos do qual ficava o chamado mausoléu de Gala Placídia.
Mandado construir pela imperatriz, era uma igreja dedicada a S. Lourenço ou S. Vicente, e embora de linhas simples, o brilhante policromado dos mosaicos bizantinos que decoravam o seu interior, compensavam a sua modesta forma exterior. Actualmente isolado, este pequeno edifício é uma das construções mais notáveis do sec. V.

Originalmente o edifício era revestido de estuque pintado de modo a imitar mármore, que foi removido posteriormente, e a técnica de construção é uma transição entre as tipologias da Roma imperial e a paleocristã. Uma característica típica dessa fase é o uso de ânforas em vez de tijolos a fim de aliviar o peso das estruturas. No caso do mausoléu, foram encontradas durante as reparações feitas em 1838, no volume cúbico que sustenta a cúpula. É o mais antigo monumento de Ravena a preservar sua decoração original. Sobre o cruzamento dos braços ergue-se uma estrutura cúbica com pequenas janelas e coberta por um telhado em quatro águas. As janelas estão fechadas com placas translúcidas de alabastro oferecidas por Vitório Emanuel III em 1908, e a base do edifício está cerca de 1,5 m abaixo do nível do solo, devido ao seu afundamento no decurso do tempo.
Totalmente forrado de mosaicos, constitui um dos mais belos conjuntos cromáticos do mundo antigo. Elementos figurativos conjugam-se com o profundo tom azul, verde e ouro da ornamentação vegetalista e geométrica, criando uma atmosfera misteriosa, quase sobrenatural.


No centro há uma grande cruz latina dourada. Nos quatro cantos estão meias-figuras de seres alados sobre nuvens, representando as criaturas associadas aos quatro evangelistas - o anjo, o touro, o leão e a águia. São imagens típicas da iconografia paleocristã, não possuindo auréolas nem os livros dos Evangelhos, elementos que só apareceram por volta do século VI, mas diferem do uso da época por terem apenas duas asas cada, quando o comum era a representação de seis. A cruz flutuando livre no céu possivelmente significa o Segundo Advento de Cristo. Debaixo das janelas estão pares de figuras de pombas bebendo água de vasos, que são interpretadas possivelmente como alegorias da luta da alma em busca do Reino dos Céus, e a água dos vasos pode ser um símbolo do baptismo. O tema das pombas e da água era comum em contextos fúnebres e baptismais do cristianismo primitivo. Na parte superior às janelas há um motivo dourado de concha que dá uma impressão de espaço tridimensional para as cenas abaixo, contendo ainda adornos em forma de pérolas e uma pomba, que representa o Espírito Santo. As áreas são delimitadas com faixas de motivos abstractos e ramos de videira entrelaçados, em tons de azul, branco e ouro.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Gala Placidia - II


Moedas romanas com a efígie de Gala Placídia 425-435,e com a cruz que adoptou como símbolo



A Imperatriz

Com a morte de Constâncio, Gala desentende-se com o irmão e, abandonando Ravena com o filho, acolhe-se junto de Teodósio II em Constantinopla, até que após o falecimento de Honório, em 423, e afastado o imperador eleito na sua ausência pelo senado, Gala Placídia vê-se regente do Império do Ocidente, em nome de seu filho, que contava apenas cinco anos de idade. O direito romano permitia que uma mulher viúva assumisse a tutela legal dos seus filhos desde que não contraísse outro matrimónio, o que a imperatriz aceitou de bom grado.
Ravena era, desde o tempo de Honório, a capital do império, devido às invasões bárbaras. A situação era caótica, pois, a par das revoltas internas quase permanentes e a ameaça das hordas bárbaras, havia agora um conflito religioso, com a expansão da heresia de Pelágio (negação do pecado original), que ameaçava a própria ortodoxia romana.
Senhora de grande inteligência, contou com o apoio de Teodósio II, Imperador romano do Oriente, e ajudada pelos principais chefes militares, que à vez, escolheu para liderar as suas tropas (Bonifácio, Aécio e Félix), conseguiu manter o que restava do Império, até que em 437, o seu filho atingindo a maioridade, subiu ao trono como Valentiniano III.
Em 429, no entanto, Bonifácio, que tinha sido nomeado Conde de África, chamou a si os vândalos de Genserico, privando assim, a corte de Ravena da sua principal fonte de recursos para abastecer os exércitos. Apesar das dificuldades e com o apoio de Constantinopla, conseguiu forçar o rei vândalo a aceitar um acordo que lhe proporcionasse dispor desses mesmos recursos.
Retirou-se então da vida política, ou mais provavelmente foi afastada dela pelo general Aécio, figura preponderante em quase todo o reinado do medíocre filho de Placidia.
Católica convicta, apoiou sempre o primado do Papa romano, contra as heresias vigentes, principalmente a do abade Eutiques, de Constantinopla. Em 418, por ocasião da morte do Papa Zozimo, as duas facções distintas do clero romano, elegeram o seu próprio Papa, o que originou grandes tumultos na cidade. O perfeito de Roma pediu à Corte Imperial, em Ravena, que se pronunciasse, e Gala interveio junto a seu irmão, o imperador, a favor de Eulálio, que foi assim designado como o único Papa.
Foi a primeira vez que um imperador se imiscuiu numa eleição papal.
Mandou construir algumas igrejas em Ravena, como a de S. João Evangelista, em agradecimento ao Santo por a ter salvado e aos seus filhos de um naufrágio, e ordenou a reconstrução da Basílica de S. Paulo fora dos Muros, em Roma e da Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém.
Após o seu falecimento, é sepultada em Ravena num magnífico mausoléu que segundo reza a tradição, mandou construir, e é considerado pela Unesco, Património da Humanidade, desde 1996. Todo decorado com mosaicos bizantinos, e em forma de cruz latina, encontram-se ali depositados os túmulos de seu marido Constâncio, de Honório, Valentiniano III, e do pequenino Teodósio, cujo corpo ela nunca abandonou, e levou sempre consigo em todas as deslocações, metido numa pequena urna de prata.
Filha, irmã e mãe de imperadores, foi regente de um império com honras de Augusta, assistiu á desagregação do Império romano e às invasões bárbaras além de ter sido, ela também, cativa e rainha desses mesmos bárbaros.
É considerada uma das figuras mais fascinantes da sua época. Juntamente com as suas sobrinhas Eudóxia e Pulquéria, governaram todo o mundo Romano.

Fontes:Cebrián, Juan Antonio – A Aventura dos Godos, Guimarães Editores, Lisboa, 2003
Roma, mil anos de poder e glória – Selecções Reader’s Digest
Revista História, National Geographic, nº 46
História da Arte, vol. 3, edições Alfa
Wikipedia.org.


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Gala Placidia – I

Gala Placidia, à direita, com os seus filhos

De princesa imperial a rainha bárbara


Elia Gala Placidia, nasceu em Constantinopla, a meados do ano de 392d.C., filha do imperador Teodósio I e da sua segunda esposa, a imperatriz Gala, na Sala Púrpura do palácio, destinada ao parto dos bebés reais, para que os que ali nascessem viessem à luz envoltos na cor púrpura, símbolo do seu destino imperial. Era também meia-irmã de Honorio, designado aos 11 anos de idade, como Imperador Romano do Ocidente, e de Arcádio, futuro imperador romano do Oriente.
Pouco mais de meio século depois, em 450, falece em Roma, sendo-lhe administrados os últimos sacramentos pelo próprio Papa Leão I, que se deslocou ao palácio para a receber em confissão. O seu corpo esteve exposto num catafalco, para que tanto a nobreza como o povo pudessem prestar as últimas homenagens à sua imperatriz.
E, no entanto, no decurso destes 58 anos, a sua vida foi tudo, menos monótona.
Embora nascida na capital do Império Romano do Oriente, a princesa foi prometida a Euqério, filho do general Estilicão e de Serena, sobrinha do imperador Teodósio I, a quem foi entregue a sua educação, vindo então para Roma.
Depois do assassinato de Estilicão, seguida da morte do seu filho, continua em Roma, onde juntamente com todo o Senado vota a execução da sua prima Serena. Desconhecem-se as razões que a levaram a este acto. Em 410 assiste ao saque da cidade feita pelo rei godo, Alarico, que dura seis dias.
Quando finalmente Alarico dá ordem de marcha às suas tropas, para sul, no seu enorme espólio de guerra, além do sagrado candelabro judeu de sete braços e a mesa de Salomão, retirados séculos atrás do Templo de Jerusalém pelo imperador Tito, iam milhares de prisioneiros, entre eles a própria irmã do imperador romano, Gala Placidia, convertida assim em moeda de troca.
Mas Alarico morre nesse mesmo ano, e o seu sucessor, o seu cunhado Ataúlfo, cujo plano consistia em revigorar o Império com a força dos visigodos, assimilando a cultura, costumes e leis romanas, faz um acordo com o imperador Honório, estabelecendo-se no sul das Gálias, onde ajudaria o general romano Constâncio, a pôr um pouco de ordem no caos que se tinha instalado naquela região, em troca de terras e alimentos para o seu povo e a devolução da irmã de Honório, desejada pelo general para sua esposa.
Não nos podemos esquecer que era através da união com as princesas imperiais, que mais facilmente se chegaria ao poder!
Honório, não conseguiu cumprir o tratado, e Ataúlfo não consentiu na devolução da princesa, por quem entretanto se tinha apaixonado. Instigado pelo seu general, o imperador decidiu retomar a irmã pela força, declarando a guerra. Derrotado em Marselha, Ataúlfo marcha para sul, conquistando várias cidades e dominando completamente a região da Aquitânia em 413. Em Janeiro de 414, desposa Gala Placídia, numa boda magnífica ao estilo romano em Narbona, embora segundo alguns historiadores, desde 411 tenham deixado de ser apenas captor e cativa.
Mas a viva rejeição do imperador por este consórcio, que ele achava degradante, e os ciúmes de Constâncio, fazem com que o imperador conceda a este a mão da irmã, desde que vença os bárbaros.
Entretanto recolhida em Barcino (Barcelona), Gala espera o seu primeiro filho, que nasce em princípios de 415, e a quem dão o nome do seu avô materno, Teodósio. Uma vez que Honório não tinha descendentes, este menino era agora o único herdeiro do Império Romano do Ocidente, trazendo consigo a esperança de uma reconciliação. Mas o imperador nem quer ouvir falar disso, e a criança, morrendo poucas semanas após o seu nascimento, traz de novo a tranquilidade à Corte romana.
Em Agosto de 415, Ataúlfo é assassinado e a princesa, que em pouco tempo ficara sem marido e sem filho, é vista por uma parte dos godos, como a causadora de tanta desgraça.
O novo rei é Vália, irmão do falecido, mas rapidamente destronado por Sigerico, cujo reinado dura apenas uma semana, antes de ser por sua vez, assassinado também. Chega, no entanto, para mandar executar os seis filhos vivos de Ataúlfo, frutos do seu primeiro casamento, virando-se depois contra a sua viúva.
Humilhada e insultada frente à populaça, Gala foi submetida a vários castigos; um deles consistiu em caminhar quilómetros juntamente com as escravas, durante mais de vinte e quatro horas, sob o olhar atento de Sigerico, que a seguia, montado num cavalo, poucos metros atrás. Terminada a marcha, a princesa caía no chão, completamente esgotada, no meio das risadas trocistas da guarda pessoal do rei. Tinha vinte e cinco anos.
Felizmente para ela, o seu cunhado Vália recupera o trono, e em 416, devolve Gala Placídia em troca de 600.000 moios de trigo, o que era considerado uma grande fortuna para a época.
De volta à família, leva consigo a sua guarda pessoal goda que sempre a acompanhou desde os tempos de Ataúlfo, e de que nunca se separa, sendo imediatamente casada com o general Constâncio. Desta união nascem, uma filha chamada Honoria, em 418, e no ano a seguir, o futuro imperador romano Valentiniano III. Com a sua influência, consegue que o seu marido, em 421 seja nomeado co-imperador, com o nome de Constâncio III, governando o império junto com Honório, que continuava sem descendência, tendo ela sido elevada à posição de Augusta.




segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Os Bárbaros – III

A deposição de Rómulo Augústulo

O general romano Constâncio, temendo que os Visigodos se tornassem demasiados poderosos desvia-os para a Aquitânia, onde fundam o reino de Tolosa, mais tarde ameaçado pelo povo Franco, que precisa de se expandir. Sob o comando de Vália, voltam à península Ibérica onde fundam um reino.
Os Francos, que também são uma tribo germânica, estabelecem-se dentro dos limites do território romano, como foederati, entre 353-358, conquistando a maior parte da Roma gaulesa ao norte do vale do rio Loire e a leste da Aquitânia visigoda, fundando um reino duradouro. Estavam ao princípio divididos em duas tribos, os francos sálios e os ripuários, que com o tempo formaram apenas uma. Aliados aos burgúndios, romanos e aos visigodos, liderados pelo general Aécio e pelo rei godo Teodorico, ajudaram a derrotar Átila, o rei dos Hunos, na batalha dos Campos Catalaúnicos, em 451. Os Francos eram, de entre os bárbaros, os mais fiéis a Roma, mas mantiveram sempre muito do seu cariz germânico. A sua destreza no manejo das armas é notável, e foram eles que salvaram e restauraram o que subsistia do Império após a sua queda.
Os Burgúndios, também possivelmente originários da Escandinávia, desembarcaram no continente entre o Óder e o Vístula, seguindo através da Alemanha até ao actual Palatinado, onde fundaram um reino, que em 436 é terrivelmente massacrado pelos Hunos. Este episódio faz parte do célebre Canto dos Nibelungos. Aos sobreviventes são-lhes atribuídas novas terras na região do Ródano, na Gália, a que hoje chamamos Borgonha.
Com a morte de Valentiniano III, os imperadores seguintes são meros fantoches nas mãos dos chefes mercenários germânicos, que detêm efectivamente o poder, até que em 476, Odoacro, chefe dos ostrogodos, é eleito rei pelos soldados, e depõe o jovem imperador Rómulo Augústulo, de apenas 16 anos. Considera-o de tal modo inofensivo que não o mata, limitando-se a desterrá-lo para a Campânia.
Intitulando-se rei de Itália, Odoacro, que já era patrício romano, envia a insígnia imperial ao imperador Zenão do Oriente, que a aceita agradecido, terminando assim o Império Romano do Ocidente.
A partir daí, a Itália não foi mais que um aglomerado de reinos germânicos. A data de 476 é considerada como o fim da Idade Antiga e o começo da Idade Média.
O Império Romano do Oriente, que resistirá ainda mais onze séculos, passará então a ser o único herdeiro dos Césares.
O reino visigótico da Península Ibérica dura até 711, altura em que também ele, vitima das dissensões internas que o vão desgastando, é conquistado pelos árabes, que atravessando o estreito de Gibraltar, penetram na Península, e exterminando a maior parte da aristocracia visigótica, dão início a um novo reino sob o nome de Al-Andaluz.
Os poucos sobreviventes, refugiam-se nos montes inóspitos da região das Astúrias, onde fundam um pequeno reino e darão início a um movimento que se chamará a Reconquista Cristã.

Fontes: Grinberg, Carl– História Universal
Meleiro, M. Lucília F., A Mitologia dos Povos Germânicos
Roma, Colecção Grandes Civilizações, Selecções do Reader’s Digest

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Os Bárbaros – II

Saque de Roma por Genserico


As primeiras populações germânicas que se estabeleceram no território imperial, não tinham qualquer vontade de se livrarem de Roma. Queriam principalmente terras de cultivo e tentaram uma coexistência pacífica. Mas os romanos tinham uma profunda repugnância por estes bárbaros, que se vestiam de peles de animais, eram barulhentos, e, como no caso dos Burgúndios, cheiravam à manteiga rançosa com que untavam os cabelos. Impuseram por isso aos seus vizinhos uma barreira de desprezo e exclusão social, aproveitando-se deles quando eram necessários para defenderem as suas fronteiras, e esquecendo-se depois dos pagamentos acordados.
Estes bárbaros, servindo muitas vezes como mercenários, ou como aliados, foederati, sujeitos a tributo e serviço militar, absorvendo a cultura romana, e estreitando os laços com o Império, nem sempre coexistiram de maneira pacífica…Que o digam as três legiões de Quintilius Varrus, completamente desbaratadas na floresta de Teutoburgo, ou a derrota de Roma na batalha de Andrinopla, onde o imperador Valente e os seus generais morreram queimados na cabana onde se tinham refugiado!
O seu carácter belicoso e a sua permanente necessidade de armas fizeram com que se tornassem hábeis metalúrgicos, sendo as suas espadas, endurecidas pelo tratamento com azoto, extremamente mortíferas. Combatiam a cavalo, tal como o povo das estepes, com quem tinham privado, sendo exímios cavaleiros e peritos no manejo das armas. Também na agricultura, o seu arado, mais pesado, com revestimento de ferro e lâminas cortantes, permitia trabalhar melhor o solo em profundidade, ao contrário do romano, mais leve, contribuindo assim para melhorar as colheitas. Como era equipado de rodas, a sua deslocação tornava-se fácil.
No sec. IV convertem-se ao cristianismo de tendência ariana, através do monge Úlfilas, filho de cristãos da Capadócia, que traduziu a Bíblia para a sua língua natal para melhor os poder evangelizar.
E assim, a um ritmo de infiltração lenta e progressões pacíficas, ou de invasões declaradas com lutas e massacres sanguinários, os Germanos bárbaros vão tomando por dentro e por fora, um Império em franca derrocada, principalmente depois da sua divisão em Oriente e Ocidente.
Por esta altura, os germanos já não eram assim tão bárbaros…Eram beligerantes, com uma elite governante dedicada à guerra e formavam tecidos sociais coesos. Embora alguns combatessem o Império, outros, como mercenários ao serviço dos imperadores, e com o ouro ganho, compravam villas, jóias e cavalos, e acabaram muitos deles integrando a elite dirigente romana. Armínio, que no ano 9 d.C., ganhou a batalha de Teutoburgo, chamava-se Caio Júlio Armínio e era um cavaleiro romano, além de chefe dos queruscos. Alarico, que saqueou Roma em 410, tinha sido nomeado magister militum romano e era também chefe dos visigodos.
O célebre general Estilicão, chefe dos exércitos romanos no tempo do Imperador Honório, era um vândalo, e Teodorico, um ostrogodo que fundou o primeiro reino romano-bárbaro em Itália, tinha sido educado na corte de Constantinopla, e feito cônsul pelo próprio imperador do Oriente.
A política romana de levar para Roma como reféns, os filhos dos chefes subjugados, para os manter sossegados, e também para que mais tarde estes mesmos jovens, já educados pelo Império, ocupassem o lugar dos seus pais, à frente dos seus povos como aliados, era muitas vezes o que se pode chamar “um pau de dois bicos”…
Na sua maioria, mesmo romanizados, continuavam a manter o seu vestuário de peles, e desprezavam a toga romana. Para eles, morrer em combate era a máxima glória, a morte por acidente ou doença era ignominiosa.
Entretanto, Vândalos, Suevos e Alanos, transpõem os Pirinéus e apoderam-se da Península Ibérica, onde se combatem uns aos outros pelo domínio da mesma. Os Alanos, descritos como belos, de porte nobre, olhos penetrantes e cabelos moderadamente louros, eram considerados dos mais ferozes, praticavam o escalpe de guerra, guardando os crânios do inimigo como taças para brindes rituais. Dos Vândalos, ficou-nos o termo “vandalismo”, que chega para dar uma ideia da sua crueldade…
Expulsos da Península por Ataúlfo, chefe dos visigodos e cunhado do imperador Honório, encarregado de pacificar a Península, unem-se aos Vândalos, sob o comando de Genserico que os conduz para o Norte de África. Expulsando os romanos das suas terras de Cartago, funda ali um reino, aliando-se às tribos mouras da região. Foi durante o cerco a que submeteram a cidade de Hipona, em 430, que morreu Santo Agostinho, bispo da cidade e célebre doutor da Igreja. Em 455, saqueia Roma levando tudo o que pode, incluindo a viúva do imperador e as suas duas filhas!


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Os Bárbaros - I


Por” Invasões bárbaras” designamos geralmente as enormes migrações de povos ou tribos que, vindas do Norte e Leste da Europa conseguiram introduzir-se no Império Romano.
O termo “bárbaro” foi inventado pelos gregos, que consideravam assim todo aquele que não fosse nascido na Grécia e não falasse a sua língua, portanto, estrangeiro, fossem eles persas, romanos, ou quaisquer outros…
Quando os romanos conquistaram e submeteram o povo grego, absorvendo a sua cultura, esse conceito passou a designar e com sentido pejorativo, todos aqueles que viviam para além das fronteiras do seu Império.
Por isso, todas as tribos que tentavam transpor as fronteiras europeias do seu civilizado mundo romano, eram vistas como selvagens e incultas, recebendo aquela designação. Para as diferenciar de outros bárbaros que Roma já conhecia, como por exemplo, os Celtas, e como não tinham a mesma origem destes, apresentando usos e costumes muito diferentes, apelidaram-nos a todos de Germânicos.
Vindos do mais profundo dos bosques do norte, encobertos por uma bruma ancestral, tendo como origem remota as inóspitas regiões da Escandinávia, que os romanos pensavam ser uma ilha - Scania - estes homens de estatura elevada, cabelos claros e olhos azuis, a um tempo guerreiros magníficos e camponeses pacíficos, lutando com a espada numa mão e o arado na outra, e pensando apenas na sua sobrevivência depois de séculos de guerra e migrações sucessivas, acabam por se estabelecer por volta de 370 no delta do rio Danúbio. Eram ainda uma série de pequenas tribos, que se guerreavam entre si e que não imaginavam que, um dia, viriam a converter-se num único povo.
Divididos mais tarde em Germânicos Ocidentais, Orientais e Setentrionais, acabam por formar dois grupos independentes: os Visigodos ou Godos do Ocidente e Ostrogodos, ou Godos do Oriente. Os Ostrogodos, fundaram um extenso reino no que é hoje parte da actual Rússia e os Visigodos estabelecem-se nas margens do Danúbio, onde também se encontravam os baltingos, chefiados pelo rei ou chefe Baltha.
Entretanto, os Hunos, que se tinham estabelecido ao longo da Grande Muralha da China, escorraçados do seu território, e compostos por hordas selvagens que semeavam o terror por onde passavam, fazem a sua aparição nas margens do Mar Negro, levando de vencida os Ostrogodos, que, embora lutassem desesperadamente, não conseguiram resistir-lhes, sendo os sobreviventes obrigados a seguir para Ocidente. Por sua vez, os Visigodos, incapazes de conter a avalanche que lhes caiu em cima, pediram ao imperador Valente, asilo, o que lhes foi concedido, e em 376, atravessam o Danúbio, instalando-se em território romano.
Esta inédita permissão imperial, foi de extrema importância para os acontecimentos que daí resultaram. Era a primeira vez que povos bárbaros tinham permissão para se instalarem dentro das fronteiras do império, como nação autónoma, mantendo as suas próprias leis e os seus príncipes, embora sujeitos a tributo.
Foi pena que mais tarde, o Império Romano do Ocidente tivesse sido incapaz de assimilar os Godos. Teria provavelmente assegurado a sua sobrevivência…