sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Al-Andaluz - I

Al-Andaluz, foi o nome dado à península Ibérica pelos seus conquistadores islâmicos, a partir do ano de 711 (século VIII), tendo o nome sido utilizado para se referir à península, independentemente do território politicamente controlado pelas forças islâmicas.
A origem do nome Al-Andalus é incerta. O nome fez a sua primeira aparição em 716, num dinar bilingue cunhado na Península Ibérica e que se encontra hoje em dia no Museu Arqueológico Nacional em Madrid. Nessa moeda a palavra Span(ia), em latim, corresponde a Al-Andalus, em árabe. O termo Al-Andaluz é ainda usado no século XV para designar os árabes fugidos da península, expulsos durante a Reconquista Cristã, que se refugiam no Norte de África.
A região ocidental da península era denominada Gharb Al-Andalus ("o ocidente do Al-Andalus") e incluía o actual território português. De uma maneira geral, o Gharb Al-Andalus foi uma região periférica em relação à vida económica, social e cultural do Al-Andalus.
As circunstâncias que marcaram a chegada dos muçulmanos à Península Ibérica, foram deturpadas pela lenda, embora contenham um fundo de verdade.
Quando o rei visigodo Vitiza morreu, os seus seguidores nomearam seu filho Agila, de dez anos de idade, herdeiro do trono, mas os mais conservadores, elegerem por sua vez como rei, a Rodrigo, duque da Bética, o que deu origem a uma guerra civil.
O irmão de Vitiza, o conde Oppas, refugiou-se em Ceuta, governada pelo Conde Julião, possivelmente seu parente, e ambos resolveram pedir ajuda aos muçulmanos para consolidarem no trono de Toledo o jovem Ágila.
Em Abril de 711, o berbere Tarik Ibn Ziyad, governador de Tânger e lugar-tenente de Mussa Ibn Nusayr (698-714), desembarca à frente dos seus homens no monte que em sua honra se passará a chamar Jebal Tariq (Gibraltar), e derrota o rei Rodrigo na batalha do rio Guadarranque, entre a torre de Cartagena e Gibraltar, segundo algumas versões, noutras, a batalha dá-se junto ao rio Guadalete.
A vitória árabe sobre Rodrigo vai derrubar toda a organização central de defesa do estado visigodo, e em vez de uma simples intervenção estrangeira num confronto civil, como pretendiam Oppas e Julião, os muçulmanos iniciam uma invasão em toda a linha, acabando em poucos anos com a escassa resistência apresentada pelos antigos senhores.
Toledo perde o seu título de capital do império, que passará para Córdova, e a Espanha passará a designar-se AL-ANDALUZ!
Apenas nas montanhas cantabro-asturianas um grupo de nobres visigodos comandados por Pelágio, primo do rei Rodrigo, resistia aos invasores, dando começo a uma luta que durou cerca de oitocentos anos, a que se deu o nome de RECONQUISTA…
Os árabes, ao conquistarem a Península não se romanizaram, continuaram sendo árabes, seguiram sendo muçulmanos, regendo-se pelas leis do Corão. A religião dos povos dominados era-lhes indiferente, mas não houve perseguições nem conversões forçadas.
A tolerância inicial do estado islâmico permitiu a sobrevivência das raízes clássicas e cristãs durante vários séculos. No entanto a nova orientalização ibérica tem também o seu preço: após Poitiers o choque entre a Europa cristã e o islamismo difundirá entre as gentes peninsulares o sentimento de cruzada e guerra santa, destruindo qualquer possibilidade de convivência.

1 comentário:

  1. Quando os Mouros dominaram a Europa
    https://www.youtube.com/watch?v=xVir85alvVg

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