quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Samurais, os Senhores da Guerra – IV


 
Toyotomi Hideyoshi

Após a morte de Nobunaga, Akeshi Mitsuhide ataca o castelo de Azuchi onde o herdeiro de Oda se refugiara, o qual, tal como o seu pai, vendo-se cercado se suicida. O castelo é saqueado e incendiado, mas Mitshuide vê-se a seguir confrontado com o exército de Toyotomi Hideyoshi (1537-1598), chamado de "o cara de macaco", um dos generais de Nobunaga. Na batalha que se segue, em Yamazaki, a 2 de Julho de 1582, Akeshi é morto em combate, as suas tropas rendem-se e Hideyoshi torna-se no novo senhor do Japão.
De origem humilde, filho de um camponês de Owari, serviu Nobunaga e subiu a pulso na carreira tornando-se num dos seus melhores generais devido às suas brilhantes capacidades de estratega militar. Depois de fazer reconhecer a sua autoridade pelos vassalos de Nobunaga, restaurou o templo fortificado de Osaka para aí estabelecer a sede do seu governo militar e construiu para si o castelo de Momoyama, que, ao contrário do de Nobunaga se conservou até meados do sec. XIX..
Dada a sua origem, não lhe é outorgado o título de xogun, por isso retoma o título de Kampaku (regente da maioridade) em 1585, e empreende a unificação nacional do país com as conquistas de Shikoku ainda em 1585, Kyushu (1587) e em 1590 virou-se contra o importante clã Hojo, em Kanto, correndo com o seu rival Tokugawa Ieyasu do Centro do Japão, concedendo-lhe apenas cinco províncias em Kanto. Obteve ainda a reunião dos grandes daimios do Norte e do Sul. Deste modo, a unidade política encontra-se restabelecida e o arquipélago vai, por fim, conhecer um certo
período de paz interna.
Para reabsorver os excedentes de efectivos de uma classe militar que a unificação do país tornara inútil, estabeleceu uma rigorosa separação entre os camponeses combatentes e a aristocracia guerreira. Os samurais foram retirados das aldeias onde viviam, forçados a viver em cidades fortificadas sob o controlo directo dos daimios após preito de vassalagem. Os camponeses foram desarmados, tratados como agricultores, trabalhando em terras registadas. Isto permitiu também a aplicação de um novo sistema de impostos razoável, o que contribuiu para o reforço dos cofres do Estado. Em 1588, Hideyoshi introduz cinco ministérios centrais – os chamados “Bugyo” - que, como Conselho de Estado dos dáimios mais poderosos dirigem a política juntamente com ele.
O cristianismo continuou a aumentar e por volta de 1580 o número de convertidos deveria rondar os 150.000, e embora tolerado ao princípio, depressa começou a ser encarado como uma ameaça à estabilidade política. Em 1587, Hideyoshi decretou a expulsão de todos os missionários cristãos, embora durante dez anos esta medida não tivesse sido aplicada com rigor. No entanto, em 1597, depois da sua derrota na guerra com a Coreia, incomodado pelas constantes disputas entre os jesuítas portugueses e os franciscanos espanhóis que, em 1593 tinham também estabelecido uma missão no Japão, o regente manda deter todos os cristãos de Nagasáqui e ordena a crucificação de nove sacerdotes europeus e dezasseis japoneses convertidos. Tinha começado no Japão a perseguição pública e o martírio dos cristãos.
Em 1591, tanto para dar vazão aos seus instintos belicosos assim como para evitar qualquer possível rebelião interna devido ao número excessivo de samurais e soldados existentes no país, anuncia a sua intenção de conquistar a China, onde reinava a dinastia Ming, construindo assim um império pan-asiático. Para isso, solicita a aliança da dinastia Joseon, da Coreia, assim como o livre trânsito através da Península Coreana. Ora a Coreia, sendo uma velha aliada da China, recusa a proposta japonesa e Hideyoshi recruta no ano seguinte mais de 150.000 soldados e decide atacar as posições chinesas na Coreia, dando assim início a um conflito armado que se estende de 1592 a 1598, e que ficou conhecido como a Guerra Imjin, pois que apesar de se ter sido constituída por duas invasões isoladas, em território coreano houve sempre tropas chinesas e japonesas em combate.