segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A Bétula



Também chamada de vidoeiro, a bétula é uma árvore muito vulgar nas florestas setentrionais tanto do Velho como do Novo Mundo. Após a recessão dos glaciares plistocénicos, foi ela juntamente com o freixo, a primeira a reflorestar o continente euro-asiático, pelo que em todas as línguas indo-europeias existe um termo para a designar.
Tanto a principal espécie europeia, a bétula verrucosa como a bétula macia, têm propriedades medicinais, conhecidas desde a Antiguidade, mas foi Santa Hildegarda de Bingen (verão de 1098-17 de Setembro de 1179), monja beneditina, naturalista, médica informal, e mestra do Mosteiro de Rupertsberg em Bingen am Rhein, na Alemanha, que chamou a atenção para os efeitos cicatrizantes das suas folhas.
A seiva é recolhida na Primavera e as folhas e a casca apanham-se na Primavera e no Outono, sendo depois secas à temperatura ambiente. Os povos antigos da Eurásia costumavam mascar casca de bétula para afastar o mau hálito. O chá das folhas é bom para cálculos renais, inflamações na bexiga, e as folhas também se empregam nos tónicos sazonais para a gota e reumatismo.
O chá também é bom para a lavagem do couro cabeludo a fim de eliminar a caspa e a queda do cabelo. A seiva, que é adocicada e rica em vitamina C, pode ser destilada, fabricando-se uma cerveja de sabor agradável e tonificante. O aromático óleo de bétula contém o mesmo ácido acetilsalicílico da aspirina, eficaz contra o reumatismo, sendo usado também, na fabricação de sabonetes medicinais.
O seu tronco fibroso descasca-se em lâminas tão finas como papel e com o carvão que produz, fabricam-se lápis de desenho.
O seu nome provém da palavra alemã “bircha”, que quer dizer branco luminoso. Nos países nórdicos os seus troncos brancos iluminam as noites longas e escuras do Inverno, pelo que é considerada sagrada.
Na mitologia nórdica, é a árvore consagrada ao deus Thor, o deus germânico da trovoada, e representa a chegada da Primavera e da fertilidade. Na Alemanha medieval, os conselhos distritais reuniam-se nos bosques de bétulas.
Até há pouco tempo, nalgumas regiões da Europa era costuma plantá-las à frente das casas para as proteger dos relâmpagos, e queimavam-se folhas nos estábulos para que o fumo afugentasse pragas e feitiços. A primeira vez que se levava o gado para as pastagens da Primavera, batia-se-lhe com varas de vidoeiro para lhes assegurar saúde e fertilidade.
Os fasces, emblema da magistratura romana, eram feitos de ramos de bétula.
Na Finlândia usam-se ramos de vidoeiro nos rituais dos banhos a vapor, e também para provocar a transpiração.
As bétulas muito antigas eram consideradas moradas de duendes e para o povo iacute da Sibéria davam acesso a um espírito terrestre belo e benfazejo. O lenhador lapão tinha de informar a árvore de que ia cortá-la, para que os espíritos que a habitavam tivessem tempo de se mudar, mas algumas eram consideradas tão sagradas que ninguém as podia abater.

Fontes: wikipedia.org
Lipp, Frank J. – O Simbolismo das Plantas.

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