sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Rui de Noronha

Rui de Noronha (1909 - 1943).

António Rui de Noronha nasceu em Lourenço Marques, actual Maputo, Moçambique, a 28 de Outubro de 1909. Filho de pai indiano, de origem brâmane, e de mãe negra, fez os seus estudos liceais em Maputo e entrou para o funcionalismo público, onde trabalhou nos Caminhos de Ferro e na Divisão de Fiscalização de Nampula, exercendo simultaneamente o jornalismo. Os seus textos de crítica literária assim como os seus poemas foram publicados por vários jornais e revistas moçambicanos, como o Brado Africano, O Mundo Português, África Magazine e outros. Aos 17 anos escreve três contos para O Brado Africano, e que correspondem ainda a uma fase de afirmação literária, que virá a ser prosseguida a partir de 1932, com uma intervenção mais activa na vida do jornal, chegando mesmo a integrar o seu corpo directivo, onde assinava uma secção de crónicas sociais, intitulada “Ao Mata-Bicho”, com o pseudónimo de Xis Kapa. Assinava também como Ruy de Noronha e Carranquinha de Aguilar
Nos seus anos de liceu, aprendeu sozinho a tocar viola, guitarra e mais tarde violino. Foi casado e pai de Elsa de Noronha, também poetisa.
Considerado um poeta de transição, precursor de uma poesia moçambicana em ruptura com o passado, desde logo mostrou e deixou transparecer, na sua vida e na sua escrita, um temperamento recolhido, uma personalidade introvertida e amargurada. Foi, sem dúvida, um homem infeliz. Nunca chegou a concretizar, em vida, o grande sonho de publicar o seu livro de poemas que foi postumamente editado por um grupo de amigos, em 1946.
Incluído em inúmeras antologias estrangeiras – na Rússia, na República Checa, na Holanda, na Itália, nos EUA, na França, na Argélia, na Suécia, no Brasil e em Portugal, a sua obra completa está reunida em Os meus versos, publicada em 2006, com organização notas e comentários de Fátima Mendonça.
Numa biografia sua inserida na “Plural Editores” de Moçambique, lê-se:
“Em muitos dos seus textos encontramos uma espécie de simbiose entre a oratura (forma oral de transmissão de conhecimentos) e a escrita, numa tentativa de exigir a reabilitação nacional. Neste sentido, poderá claramente dizer-se que a acção dos seus poemas é sempre orientada para os caminhos do futuro; os caminhos que levarão à moçambicanidade”.
Bibliografia
Sonetos
Os meus versos
Mata-bicho

Fontes:wikipédia.org.

Biblos - Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa – 1995
www.pluraleditores.co.mz


África – Surge et Ambula" significa Levanta-te e anda

"Dormes! e o mundo marcha, ó pátria do mistério.
Dormes! e o mundo rola, o mundo vai seguindo...
O progresso caminha ao alto de um hemisfério
E tu dormes no outro o sono teu infindo...
A selva faz de ti sinistro eremitério
Onde sozinha à noite, a fera anda rugindo...
Lança-te o Tempo ao rosto estranho vitupério
E tu, ao Tempo alheia, ó África, dormindo...
Desperta! Já no alto adejam negros corvos
Ansiosos de cair e de beber aos sorvos
Teu sangue ainda quente em carne de sonâmbula.
Desperta! O teu dormir já foi mais que terreno
Ouve a voz do Progresso, este outro nazareno
Que a mão te estende e diz:
África, surge et ambula!"



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