terça-feira, 26 de outubro de 2010

Alfredo, O Grande


A 26 de Outubro de 899, morre em Winchester, a antiga capital do reino de Wessex, Alfredo (AElfred), o Grande, o único rei da Inglaterra que até hoje teve esse cognome. Chamado de o “Carlos Magno inglês”, a ele se deve a união permanente da Inglaterra como um estado centralizado.
Nascido em 849, na localidade de Wontage, em Dorset, era o quinto filho de Ethelwulf, rei dos saxões do Wessex e da sua primeira mulher, Osburga, tendo quatro irmãos varões à sua frente na linha de sucessão. Em 871, com 22 anos de idade, após a morte do pai e dos seus outros irmãos, é nomeado rei pelos seus pares, devido aos seus sucessos militares e à menoridade dos seus sobrinhos, exactamente na altura em que os vikings dinamarqueses se lançavam com toda a força contra o reino de Wessex.
Para os Anglo-Saxões, a segunda metade do sec. IX foi uma época de terror. Nessa época a Inglaterra ainda não existia como nação, estava dividida em vários reinos, alguns deles controlados pelos dinamarqueses, que já vinham invadindo as ilhas Britânicas há bastantes anos. Em 865,desembarcam novamente na Anglia Oriental, mas desta vez com um vasto exército que ia devastando a Inglaterra. Inspiravam tal receio, que o Arcebispo de York acusa os seus fiéis pelo facto de dez anglo-saxões não ousarem defender-se contra um único dinamarquês!
Ao lançarem-se contra Wessex, encontram as forças de Alfredo, que os reprimiu e expulsou. Em 876 voltam à carga e os anglo-saxões são obrigados a refugiar-se nos pântanos de Somerset. Reagrupando os seus homens, enfrentou de novo o inimigo, conquistou Londres, e em 886, os dinamarqueses, na pessoa do seu rei Guthrum, aceitam a demarcação da fronteira do território escandinavo (o Danelaw), e a sua conversão ao cristianismo.
Depois da paz firmada, o rei empreendeu uma série de medidas para melhorar a defesa do seu país, que incluíam cidades fortificadas e a construção da primeira frota britânica. Assim, quando novamente em 892, e vindos da Normandia, os vikings atacaram de novo, Wessex manteve-se firme. Por esta altura, Alfredo foi reconhecido como rei por todos os ingleses.
A grandeza de Alfredo não reside apenas nos seus feitos como guerreiro. Homem piedoso, humano e bastante inteligente, embora prático e com os pés bem assentes na terra, a ele se deve o primeiro sistema de leis inglesas.
Incentivou a cultura, determinando que todos os rapazes ingleses nascidos livres, tivessem ao menos de saber ler inglês, e como não havia livros, ele próprio traduziu algumas obras do latim (tinha aprendido esta língua em pequeno, quando esteve em Roma por duas vezes), para anglo-saxão, atraindo muitos eruditos à sua corte. Fundou a Crónica Anglo-Saxónica, uma história “corrente” da Inglaterra, inventou uma espécie de relógio de água, e incentivou a publicação de manuais de teologia, geografia e história.
Reorganizou as finanças, o exército, o clero, reconstruiu Londres que tinha sido arrasada pelos dinamarqueses e espalhou fortificações por todo o reino, com tropas permanentes para as defenderem, fomentando assim um sentimento de nacionalidade, que levou mais tarde à fundação do Reino Unido.
Casou em 868 com Ethelswitha, descendente dos reis da Mécia, de quem teve seis filhos:
Ethelfleda (n. 869 - m. Tamworth, Staffordshire, 12 de Junho de 918), casada com Etelredo, rei da Mércia (m.911), cujo trono ocupou depois da morte do marido.
Edmundo (n. 870 - m. 899), coroado em vida do seu pai como co-rei de Wessex, morreu antes dele.
Eduardo (n. 872 - m. Farndon-on-Dee, 17 de Julho 924), apelidado "o Velho", sucedeu seu pai como rei de Wessex.
Ethelgiva (n. 875 - m. 896), monja, abadessa de Shaftesbury, Dorset.
Elfrida (n. 877 - m. 7 de Junho de 929), casada com Balduíno II, conde de Flandres (n.864-m.918) - filho do terceiro matrimónio da madrasta de seu pai, Judith.
Ethelweard (n. 880 - m. 26 de Outubro de 920); pai de três filhos: os dois maiores, Elfwine e Ethelwine, morreram na batalha de Brunanburgh em 937, e o menor, Thurcytel, foi abade de Croyland, Lincolnshire

A sua vida cheia de aventuras, deu origem a várias lendas, uma das quais diz, que quando esteve refugiado nos pântanos de Somerset, aceitou abrigo na cabana de um pastor. A mulher deste, não reconhecendo o rei, mandou-o cozer o pão enquanto ela ia trabalhar lá para fora. Absorto nos seus pensamentos, Alfredo esqueceu-se de vigiar a cozedura, deixando queimar o pão. Furiosa, a pastora bateu-lhe com o pau de tirar o pão do forno.
Numa outra aventura, com o objectivo de se informar das forças e dos meios de defesa do inimigo, Alfredo introduziu-se no acampamento disfarçado de tocador ambulante de harpa. Tocava e cantava tão bem, que os vikings o conservaram muito tempo com eles. Logo que ficou com o conhecimento exacto dos pontos fracos do inimigo, o rei voltou para junto dos seus, infligindo depois pesada derrota aos dinamarqueses.
Profundamente religioso, aceitava o governo como um encargo divino, e quando faleceu, a Igreja canonizou-o, sendo o seu dia santo festejado no dia 26 de Outubro, data da sua morte.
Redigiu o seu próprio epitáfio:”Desejei viver utilmente toda a minha vida e deixar aos homens que viessem depois a minha lembrança em boas obras”.
Junto com Carlos Magno são considerados os mais notáveis monarcas daquele século
A sua estátua, empunhando a espada, ainda monta guarda a Winchester, a capital do seu reino…


Fontes: História da Grã-Bretanha – col. Pequena História das Grandes Nações.
Grinberg, Carl – História universal, vol.6
Revista História Viva, n.21
Wikipedia.org

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