domingo, 17 de outubro de 2010

A Ursa Menor



Mais pequena que a Ursa Maior e também menos brilhante, a Ursa Menor é uma constelação muito antiga sendo registada pela primeira vez por Thales de Mileto. O seu elemento mais conhecido é a Estrela Polar que situada no prolongamento do eixo da terra permanece sempre fixa no firmamento assinalando o Pólo Norte. Ao contrário dos Gregos que se orientavam pela Ursa Maior, os Fenícios foram os primeiros navegadores a usar a estrela Polar como orientação nas suas viagens.
Devido ao movimento da precessão dos Equinócios, que faz com que o eixo de rotação da Terra não aponte sempre na mesma direcção, a Estrela Polar faz parte de um grupo de estrelas que periodicamente se intercalam nesse lugar. Em tempos mais recuados era Vega, a estrela alfa de Lyra que ali brilhava, e quando há cerca de 4600 anos as pirâmides se erguiam no Egipto, era Thuban, a alfa do Dragão, que estava mais perto do Pólo. Daqui a uns milhares de anos deverá ser novamente Vega a ocupar esse lugar.
Mas tal como todas as outras constelações do hemisfério norte, também a Ursa Menor tem na mitologia grega a sua própria lenda.
Como na descrição anterior do mito da Ursa Maior foi contada uma das versões da lenda da Ursa Menor, aqui está uma outra:
Filho da ninfa Calisto e de Zeus recebeu o nome de Arcas, Arkas ou Arcade, e depois da transformação de sua mãe em ursa, foi entregue a Maia, a mãe do deus Hermes, que o criou. Mais tarde, voltou para junto de seu avô, o rei Licaon, que o nomeou seu herdeiro. Noutra versão conta-se que um dia o rei para pôr à prova a clarividência de Zeus que o tinha ido visitar, serviu-lhe ao jantar os membros do pequeno Arcade disfarçados no próprio repasto, mas este não se deixando enganar, virou a mesa e atingiu com um dos seus raios a Licaon, transformando-o em lobo. Juntou depois os pedaços do garoto, restituindo-lhe a vida.
Já adulto, indo uma vez à caça, encontrou uma ursa a quem perseguiu, não sabendo que era a própria mãe. Aterrorizado, o animal refugiou-se no templo dedicado a Zeus Lício, onde nenhum mortal podia entrar, e Arcade sempre no seu encalço, entrou também de arma em riste. Acusado de impiedade, foi condenado à morte.
Zeus, que tudo via, transformou Arcade em urso e atirou-o juntamente com a mãe para o céu onde ficaram como constelações, viradas de costas uma para a outra. A força do seu impulso foi tal, que as ursas apresentam longas caudas ao contrário dos seus irmãos terrestres.
Enquanto foi vivo, e depois da morte do seu avô, reinou sobre os Pelasgos do Peloponeso, a quem ensinou a semear o trigo, a fazer pão, a tecer e a fiar. Deu o seu nome a esta região, que se ficou a chamar Arcádia passando os Pelasgos a chamar-se arcádios, que em grego significa,” o povo do urso”. Casou com Laenira, de quem teve dois filhos, e de Érato, musa da poesia lírica, teve Azan. Depois da sua transformação o reino foi dividido pelos seus três herdeiros.
As duas Ursas estão separadas pela constelação do Dragão, e Böots, ou o Boeiro, tange-as constantemente com o seu cajado para que não possam descansar, nem afastarem-se do Pólo gelado.

Fontes: Grimal, Pierre – Dicionário de Mitologia Grega e Romana
Magno, Albino Ferreira – Mitologia
Cvc.instituto-camoes.pt
Wikipedia.org

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